
Brincar. Aprender. Crescer. O desenvolvimento social, psicológico e emocional das crianças está diretamente ligado com a maneira em que elas foram criadas e tratadas quando pequenas. O "Dia Mundial da Infância" é comemorado em 21 de março e é uma data de conscientização para a importância que os primeiros anos de vida detém para o comportamento do adulto no futuro. De acordo com o presidente do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Renato Santos Coelho, são nas primeiras relações do bebê com sua mãe que se estabelece a ligação do apego, o que seria equivalente a "vacina emocional", auxiliando na estruturação inicial do que mais tarde se transforma na personalidade.
- O ser humano é um misto de sua estrutura biológica e genética com o seu meio ambiente. E nesta trama complexa construímos o que somos quando adultos.
Na chegada da maturidade podemos melhorar o que foi construído na infância, mas a duras penas. Portanto, é bem melhor trabalharmos na prevenção. Mesmo que muitos ainda possam achar que criança não entende, sente ou escuta - destaca o pediatra.
O profissional acredita que ter um filho é de certa maneira uma forma dos pais revisitarem a própria infância. Sendo assim, a paternidade é uma oportunidade de ver, com os olhos de adulto, o crescimento e desenvolvimento de uma criança desde sua concepção, nascimento e todo o processo até a vida adulta. Os erros e acertos também variam conforme a época dos fatos.
- "É errando que se acerta!" e "ninguém nasce sabendo" são frases antigas, mas que se mantêm atual em qualquer tempo. Então, não podemos ser muito críticos e julgadores, pois também erramos com os nossos filhos. Não somos perfeitos. Mas, persistir nos erros sem uma reflexão, sem se colocar no lugar do outro, é repetir uma história. Devemos estar abertos para aprender com eles e com aqueles que estudam e trabalham com pais e crianças - destaca Renato Santos Coelho.
Segundo o especialista, na sociedade contemporânea, a velocidade da informação e a felicidade são imperiosas, e a tristeza deixou de ser aceita como um fato inerente da vida. Alguns casais podem não estar preparados para lidar com as frustrações e postergar prazeres e realizações que a chegada de uma criança impõe.
- Hoje as pessoas querem ter tudo, mas sem perder nada do que tinham, sem abrir um espaço na agenda deles para o outro, que é a criança. Os pequenos requerem atenção intensa nos primeiros anos. Em muitos casos a escola infantil preenche essa necessidade e gradualmente observamos uma terceirização dos cuidados, da educação e cobramos destas instituições quando problemas aparecem - lembra Renato Santos Coelho.
Porém, apesar da falta de tempo característica dos tempos atuais, o pediatra aponta que uma comparação com as gerações anteriores mostra que a educação das crianças apresentou progressivas melhorias. Dos cuidados primários com os bebês, o aleitamento materno, o maior respeito as etapas do desenvolvimento infantil, as leis e as instituições atentas e protetoras do direitos infantis são exemplos de como pensar o futuro dos pequenos está na pauta dos adultos, consolidados à partir do tratamento recebido quando habitavam a infância.
Crédito da foto: Marcelo Matusiak.