
E se cada produto contasse sua própria história: da origem ao ponto de venda, do descarte ao reaproveitamento?
E se a embalagem deixasse de ser simples invólucro para se tornar uma ponte entre marcas, pessoas e propósitos?
As perspectivas para 2026 da GS1 Brasil apontam justamente para esse cenário: um ecossistema cada vez mais conectado, transparente e orientado por dados.
O próximo ciclo deve consolidar a migração global do código de barras para o QR Code Padrão GS1, impulsionando um novo modelo de consumo, mais consciente, rastreável e com decisões baseadas em informação de qualidade.

João Carlos de Oliveira da GS1 Brasil. Foto: divulgação
Ao mesmo tempo, rastreabilidade no agro, segurança na saúde, dados qualificados e economia circular desenham um ambiente de negócios em que eficiência e sustentabilidade se tornam indissociáveis.
Para João Carlos Oliveira, presidente da GS1 Brasil, “o QR Code Padrão GS1 marca o início de uma nova era de comunicação entre empresas e consumidores”.
Já a CEO Virginia Villaescusa Vaamonde projeta um futuro que vai além da transformação digital:
“Não falamos mais de tecnologia isolada, e sim de confiança, colaboração e propósito. O futuro é digital, mas também sustentável e, acima de tudo, humano.”
O QR Code Padrão GS1 como símbolo de uma nova comunicação entre marcas e pessoas

QR Code Padrão GS1. Foto: divulgação
Quando o código de barras foi escaneado pela primeira vez, em 1974, o mundo deu um salto de eficiência.
Cinquenta anos depois, essa revolução ganha nova vida com o QR Code Padrão GS1, um código bidimensional que substitui o modelo linear e transforma embalagens em portais de informação.
Com um simples toque na câmera do celular, o consumidor acessa dados sobre validade, lote, origem, informações nutricionais, certificações e descarte sustentável, sem necessidade de aplicativos.
“A embalagem, antes muda, passa a conversar com as pessoas”, define João Carlos Oliveira.
Mais de 1.100 marcas em 72 países já utilizam o QR Code Padrão GS1, com o Brasil entre os líderes dessa transição.
O impacto vai além da embalagem: o código viabiliza rastreabilidade completa, eficiência operacional, transparência e novos modelos de relacionamento com os clientes.
Para 2026, a expectativa é que a tecnologia avance fortemente em segmentos como alimentos, cosméticos, bebidas e saúde, acompanhando a crescente demanda por autenticidade e segurança da informação.
Agro 4.0: rastreabilidade no campo e protagonismo global

O agronegócio brasileiro continua sendo uma das forças motrizes do país e elemento central da visão da GS1 para 2026.

Virginia Villaescusa Vaamonde, da GS1 Brasil. Foto: divulgação
De acordo com Virginia Vaamonde, o Brasil é hoje exemplo mundial de integração entre tecnologia, sustentabilidade e produtividade:
“O Índice Agrotech GS1 Brasil mostra um campo cada vez mais digital e conectado, movido a dados confiáveis e padrões interoperáveis.”
Esses avanços são debatidos no Agro em Código, evento que reúne GS1 Brasil, Embrapa Agricultura Digital e Cubo Itaú.
A iniciativa consolidou-se como um fórum essencial de colaboração entre produtores, pesquisadores e startups, consolidando o Brasil como referência em rastreabilidade, compliance ambiental e inovação agrícola.
A parceria entre Embrapa e GS1 firmada em 2025 deve render frutos, com foco em rastreabilidade voltada à exportação sustentável e em dados auditáveis.
Como resume Oliveira:
“A informação confiável será o novo passaporte do produto brasileiro no mercado internacional.”
Segurança do consumidor e do paciente: dados que salvam vidas

A GS1 também intensifica sua atuação em segurança: tanto no consumo quanto na saúde pública.
Nos hospitais e laboratórios, o padrão GS1 DataMatrix segue ganhando espaço, garantindo rastreabilidade de medicamentos, dispositivos médicos e bolsas de sangue.
Com o código, cada unidade recebe uma identidade digital única, vinculando informações como lote, validade e número de série.
“O simples ato de escanear um código pode evitar erros de medicação e salvar vidas”, ressalta Oliveira.
Adotada em mais de 85 países, essa tecnologia combate falsificações, otimiza recalls e oferece um novo nível de confiança entre fabricantes, hospitais e pacientes.
Para Virginia, “a segurança do paciente é o maior exemplo de como padrões globais e interoperabilidade colocam os dados a serviço da vida”.
No varejo e na indústria de bens de consumo, essa mesma padronização garante a autenticidade de produtos, prevenindo fraudes e ampliando a transparência nas relações de compra.
Economia circular e dados padronizados: o elo entre transparência e sustentabilidade

A economia circular ganha novo impulso nas perspectivas para 2026.
Por meio da identificação padronizada e do compartilhamento de dados, a GS1 Brasil apoia empresas na implementação de modelos de logística reversa, reaproveitamento de materiais e rastreabilidade ambiental.
A parceria entre GS1 Brasil e Oceana, focada na Economia Circular do Plástico, é um dos projetos mais emblemáticos.
Ela propõe o uso de identificadores únicos em embalagens e páginas públicas com informações de composição e reciclabilidade, o que aumenta a transparência e a confiança do consumidor.
O Cadastro Nacional de Produtos (CNP) é outro ativo essencial.
Com mais de 700 milhões de registros, ou seja 15% de todos os itens do mundo, a ferramenta representa a base para uma economia de dados sólida, padronizada e confiável.
“Qualidade de dados é qualidade de mercado”, resume Oliveira.
Capacitação e lideranças preparadas para o novo mercado

A transição para o futuro conectado exige profissionais prontos para conduzir essa revolução.
A GS1 Brasil segue investindo em capacitação técnica e formação executiva, por meio de cursos presenciais, híbridos e in company com certificação profissional.
A parceria com a Harvard Business School, que chegou à 8ª edição em 2025, forma líderes aptos a lidar com os desafios da transformação digital, ESG e economia de dados.
“A inovação só floresce quando o conhecimento é compartilhado e multiplicado”, afirma Virginia Vaamonde.
Visão e tendências para 2026: confiança como moeda do novo mercado

Centro de Inovação e Tecnologia da GS1. Crédito: divulgação
Com 61 mil empresas associadas, responsáveis por 36% do PIB nacional e 12% dos empregos formais, a GS1 Brasil inicia 2026 consolidando uma rede de confiança e inovação que transcende setores.
A entidade antecipa que o novo ano será marcado pela digitalização integrada das cadeias produtivas, o crescimento do consumo responsável e a expansão da rastreabilidade para novos mercados, como moda e cosméticos.
A automação passa a ser ferramenta de competitividade e reputação, não apenas de custo e eficiência.
“O que estamos vendo é uma transformação estrutural: o dado deixa de ser informação isolada e passa a ser ativo estratégico, tanto para a indústria quanto para o consumidor”, conclui Oliveira.
GS1 Brasil aponta conexão do mundo físico e digital

As perspectivas para 2026 revelam um ano em que a GS1 Brasil reforça sua missão global: conectar o mundo físico e o digital com transparência, segurança e propósito.
Cada código, cada dado e cada produto passam a ser parte de um mesmo sistema inteligente, em que confiança se torna a verdadeira moeda do mercado.
Como sintetiza Virginia Vaamonde, “o futuro está chegando em 2D e cabe em um simples QR Code”.