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Conheça os perigos da poliomielite
 
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14/06/2010

Conheça os perigos da poliomielite

Doença pode causar paralisia muscular, problemas de respiração e até a morte

A poliomielite é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus selvagem que pode atingir o sistema central e causar paralisia muscular ou até a morte.

O vírus entra no corpo por meio da boca, ao tomar água ou comer alimentos contaminados, por exemplo. Inicialmente, ele se multiplica no intestino, causando sintomas como febre, fraqueza, dor de cabeça, vômitos e dor. Depois de instalado no sistema digestivo, o vírus pode entrar na corrente sanguínea e invadir o sistema nervoso central, multiplicando-se. Com isso, ele pode destruir neurônios motores, que ativam os músculos.

Por causa disso, o paciente pode ter a chamada paralisia flácida, que atinge principalmente os membros inferiores. De acordo com o Ministério da Saúde, a evolução desse quadro é rápida e frequentemente não ultrapassa três dias. O quadro pode regredir, gerando sequelas pequenas, ou permanecer pela vida toda.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que, entre as pessoas que ficam paralisadas, entre 5% e 10% morrem porque os músculos envolvidos na respiração também são afetados. Entretanto, muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas e se curam rapidamente, mas ainda podem transmitir o vírus. Apesar de a infecção atingir mais as crianças, principalmente as menores de três anos, adultos também podem contrair a doença.

Não há cura para a doença, mas existe um meio poderoso de prevenção: a vacina. Desde 1980 o Brasil faz campanhas anuais de vacinação contra a poliomielite, o que fez com que o último caso de infecção no país fosse registrado em 1989, na Paraíba. Em 1994, o país recebeu da OMS o certificado de eliminação da doença.

É possível tomar a dose durante todo o ano gratuitamente, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Entretanto, é importante que as crianças de até cinco anos tomem as duas doses da campanha nacional anual, já que isso ajuda a proteger toda a população contra a doença. Isso porque o vírus presente na vacina, que é enfraquecido, dissemina-se no ambiente, aumentando a cobertura. Isso protege a comunidade como um todo.

O pediatra Antônio Marcio Lisboa, da UnB (Universidade de Brasília), que está na profissão há 55 anos, diz que a época pré-vacina era “horrível”.

– No Rio, tinha um hospital, o Menino Jesus, que tinha andares inteiros cheios de crianças com paralisia. Algumas tinham de usar “pulmões de aço” [máquina que permite que o paciente respire quando perdeu o controle dos músculos]. Era uma coisa que matava mesmo.

Apesar de o Brasil não ter casos da doença há mais de 20 anos, Helena Sato, coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, diz que é importante que a vacinação continue. Isso porque países como Paquistão, Índia, Afeganistão e Nigéria ainda registram casos da doença.

– Esses países continuam exportando casos, por causa da circulação do vírus. Como a globalização é uma coisa real, precisamos tomar cuidado para que a doença não volte para o Brasil.

Lisboa complementa e diz que “uma gotinha mudou radicalmente a situação”, em referência ao modo como é dada a vacina.

– Antes você tinha hospitais inteiros para o tratamento da doença. Você gastava somas fabulosas de dinheiro com o tratamento dessas pessoas. Quando acabamos com isso, geramos uma economia incalculável de dinheiro. Tudo isso por uma coisa tão fácil de dar: uma gotinha.

A campanha de vacinação deste ano custou R$ 40,9 milhões para os cofres públicos, sendo R$ 20,8 milhões para a compra das doses e R$ 20,1 milhões em repasses para Estados e municípios, que organizam a logística da distribuição.


Autor: Felipe Maia
Fonte: R7 Notícias

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