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Políticas de saúde auditiva: você já pensou sobre isso?
 
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01/06/2009

Políticas de saúde auditiva: você já pensou sobre isso?

Promoção, proteção e recuperação da saúde são ações de responsabilidade do SUS

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2005 existiam cerca de 270 milhões de pessoas no mundo com perda auditiva moderada a profunda. A deficiência auditiva é considerada um grave problema de saúde pública, em consequência da privação sensorial no desenvolvimento infantil e pela sua incidência.

Estima-se que o Brasil tenha cerca de 5 milhões de pessoas com deficiência auditiva e disponha de um total de 130 unidades de Serviço de Saúde Auditiva habilitadas para oferecer atendimento ao deficiente auditivo na atenção básica, média e na alta complexidade.

Ainda assim, dados da Sociedade Brasileira de Otologia mostram que os estados do Amazonas, Acre e Roraima não dispõem de tais serviços. Cerca de 10% destas unidades estão concentradas no estado do Rio de Janeiro e, no total, quatro delas localizam-se no município e atendem 190 mil pessoas com algum tipo de deficiência auditiva. "O percentual de pessoas com grande dificuldade permanente de audição atinge 14% dos cariocas, e 84% dessas pessoas apresentam dificuldades auditivas permanentes", comentou a pesquisadora Luciana Santos Amaral, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Apesar de ter sido instituída em 2004, a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (PNASA) ainda necessita de melhoria do diagnóstico, agilidade na aquisição de próteses auditivas, reabilitação e garantia do acesso ao acompanhamento do usuário, de acordo com um estudo realizado na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). A pesquisa analisou os avanços e entraves dessa política no Rio de Janeiro e indicou caminhos para o seu sucesso.

"O número de indivíduos com problemas auditivos vêm crescendo principalmente em decorrência do aumento da população mundial e da expectativa de vida. Além disso, a surdez infantil é um problema que atinge de três a cinco crianças em cada mil nascidas no país, evidenciando, assim, a necessidade da triagem auditiva no nível básico de atenção", disse Luciana.

Luciana lembrou que, no Brasil, as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas são de responsabilidade do SUS. "Com a elaboração da PNASA, pela primeira vez, o país trata a questão da saúde auditiva de forma específica, com foco na atuação mais efetiva para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com problemas auditivos", disse ela, destacando ainda que uma das estratégias de promoção da saúde do SUS é a tentativa da criação de Redes Estaduais de Atenção à Saúde Auditiva, que envolveriam ações de saúde auditiva nos três níveis de atenção: básica, média e alta complexidade.

Com esta pesquisa, Luciana verificou que, apesar dos avanços conseguidos no processo de implementação da PNASA, ainda existe uma relevante necessidade de melhora no diagnóstico precoce, na agilidade da aquisição das próteses auditivas, na reabilitação e na garantia do acesso ao acompanhamento do usuário.

"Hoje, não se pode dizer que o atendimento ao paciente com perda auditiva no município seja realizado de forma integral. Para tanto, é necessário que os gestores da saúde deem prioridade a esta política. O auxílio na adaptação do uso de aparelho auditivo é um ponto que ainda deixa a desejar, principalmente no que diz respeito a adultos e idosos na média complexidade. Outra importante ação é o treinamento profissional e a regulação do programa de autorizações de procedimento. Eles podem minimizar as dificuldades encontradas no preenchimento dos formulários que permitem o repasse de verbas para as Unidades de Saúde Auditiva", considerou ela.

A pesquisa A Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva: avanços e entraves no município do Rio de Janeiro, foi orientada pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Ensp, Maria Cristina Guilam e evidenciou a necessidade de um mapeamento dos atendimentos das unidades de saúde auditiva com vistas a possibilitar melhores fluxos de referência e contrarreferência de uma unidade a outra e de um nível de complexidade a outro; e também a descentralização dos serviços para garantir melhor atendimento ao usuário, evitando assim grandes deslocamentos.

De acordo com Luciana, é imprescindível que a atenção básica passe a ser mais discutida e priorizada pelos gestores da área. "A prevenção, promoção e detecção precoce de problemas auditivos poderiam ocorrer por meio da Estratégia da Saúde da Família. Os agentes comunitários seriam capacitados para notificar possíveis riscos auditivos e apontar casos suspeitos para intervir na perda auditiva no período crítico de desenvolvimento da criança". Além disso, a pesquisadora também apontou a necessidade de adoção de políticas públicas mais abrangentes para o município do Rio, como a inclusão de programas de triagem auditiva neonatal e a criação de serviços de referência para as maternidades, garantindo, assim, que todos os recém-nascidos de alto risco para desenvolvimento de perda auditiva sejam avaliados antes do momento de alta.

"Grande parte da população continua desinformada a respeito da Política de Saúde Auditiva do Governo. Portanto, o número de atendimentos poderia ser ampliado, caso o serviço possuísse uma melhor organização e divulgação. Hoje, campanhas de divulgação da Política são realizadas por diversas instituições, como a Sociedade Brasileira de Otologia e o Conselho de Fonoaudiologia. Estas iniciativas mostram-se eficazes, porém pouco abrangente. Há carência de melhores formas de divulgação para que um maior número de brasileiros possa usufruir de seus benefícios", informou Luciana. 


Autor: Informe Ensp
Fonte: Escola Nacional de Saúde Pública

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