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Câncer de Mama
 
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23/07/2009

Câncer de Mama

Entrevista com especialista revela os cuidados ao diagnosticar a doença

Entrevista com a psicóloga Cíntia Bragheto Ferreira, Doutora em Enfermagem e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Possui mestrado em Enfermagem e Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia. Experiência na área de Psicologia com concentração em Psicologia da Saúde e ênfase em intervenção terapeutica, atuando em temas como o câncer de mama

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama?

Mulheres e homens (2% dos casos) podem desenvolver câncer de mama. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, os principais fatores de risco para câncer de mama são: histórico familiar (quando mãe, irmã ou tia já tiveram câncer de mama, existe uma probabilidade maior de um descendente desenvolver a doença); obesidade; alimentação inadequada (dieta rica em gorduras, embutidos e enlatados); tabagismo e faixa etária elevada (após a menopausa), embora a cada ano o câncer de mama acometa mulheres mais jovens. Somado a isso, podemos citar situações de grande estresse e mágoas represadas. Isso não significa que todas as pessoas expostas a esses fatores de risco desenvolverão a doença. O câncer é, sim, uma doença multicausal, isto é, não há um único fator apenas que cause o problema.

Para se protegerem, as mulheres podem se submeter mensalmente ao autoexame das mamas, que preferencialmente deve ser realizado uma semana após a menstruação, visto que é o período no qual as mamas ficam menos densas, e anualmente ao exame clínico, realizado por um profissional especializado, o qual poderá indicar a realização de mamografia periodicamente, se for o caso, ou mesmo a ultrassonografia das mamas. Todas essas medidas são importantes para o aumento das chances de diagnóstico precoce, quando então a doença é mais facilmente tratada.

Como posso me preparar para uma consulta médica na qual receberei a confirmação ou não de que estou com câncer de mama?

A espera por essa consulta costuma ser bastante angustiante e é um momento apontado na literatura como um dos mais estressantes de todos, pelo fato do câncer ainda ser frequentemente associado ao sofrimento e à morte. Sendo assim, durante os dias que antecedem a consulta: tente realizar sua rotina diária normalmente; procure fazer coisas que lhe tragam prazer; anote todas as perguntas que você queira esclarecer com seu médico e as leve à consulta; escolha um acompanhante para comparecer e entrar no consultório com você — essa pessoa precisa ser alguém da sua confiança, ou seja, alguém com quem você possa compartilhar toda sua ansiedade e que você saiba que conseguirá suportar com você a alegria de um diagnóstico negativo ou a tristeza de uma possível confirmação da doença; e, se você tiver alguma crença, se ancore nela para se sentir mais forte antes, durante e depois da consulta.

Estou com câncer de mama. E agora? Quais são frequentemente as etapas de um tratamento para o câncer de mama?

Primeiro não se culpe pelo ocorrido nem se despeça dos seus entes queridos pensando que morrerá. Tente, sim, se informar o máximo possível sobre seu estado de saúde e se amparar nas pessoas de sua confiança e/ou em profissionais especializados.

Na maioria dos casos, o tratamento do câncer de mama inicia-se com a realização de uma cirurgia, que só seu médico poderá lhe informar qual o tipo mais adequado para o tratamento do seu problema. Além disso, caso seja necessário retirar a mama inteira, converse com seu médico para ponderar as possibilidades de uma reconstrução de mama imediata, ou seja, quando na mesma cirurgia na qual a mama é retirada, em alguns casos, há a possibilidade da colocação de uma prótese. Contudo, alguns pacientes necessitam de quimioterapia antes da realização da cirurgia, que é feita com o intuito de diminuir o tamanho do tumor para facilitar o procedimento cirúrgico.

Nem todos os casos de câncer de mama são tratados apenas com a cirurgia. Sendo assim, após análise do tecido retirado, há o planejamento do restante do tratamento, o qual pode ser composto pela realização de radioterapia e/ou quimioterapia. Em algumas mulheres, ainda, a análise do material retirado pode indicar a necessidade da utilização de um medicamento que iniba a produção de hormônios dos ovários, porque em alguns casos o câncer é hormônio-dependente.

Assim como o momento do diagnóstico, o momento do tratamento também é muito estressante, e muitas mulheres chegam até a verbalizar que, ao finalizarem, não se sentem a mesma pessoa. Por isso, é importante possuir uma rede de suporte de acolhimento nesses momentos. Essa rede pode ser composta por familiares, amigos, religião ou mesmo grupos de autoajuda. No Brasil, em vários hospitais universitários há grupos cuja participação é gratuita, bastando apenas haver motivação do paciente para frequentá-los. Algumas mulheres também verbalizam que seus maridos as abandonam após a descoberta da doença, porém os estudos mostram que, se os vínculos conjugais se rompem com a chegada do câncer, significa que esses vínculos já estavam próximos de sua dissolução, ou seja, o câncer sozinho não é capaz de finalizar um casamento.

Como dar continuidade na vida após o tratamento por câncer de mama?

Após o término do tratamento, o paciente precisa ser frequente às consultas médicas agendadas, para que, se porventura ocorrer alguma metástase (volta do câncer), ela possa ser tratada o quanto antes.

Os pacientes que passam pelo procedimento do esvaziamento axilar (retirada de linfonodos) ficam com a circulação sanguínea mais lenta no braço do lado operado, o que requer a adesão a exercícios físicos adequados e rotineiros, os quais podem ser aprendidos com profissionais treinados para ministrá-los.

Importante refletirmos que, apesar dos cuidados com o lado operado, o paciente é um todo integrado, com necessidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais. A partir disso, é fundamental que o paciente que já recebeu o diagnóstico de câncer de mama não deixe de se cuidar em sua integralidade.


Autor: Dra. Cintia Bragheto Ferreira
Fonte: ID Med

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