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A saúde dos adolescentes: um ciclo de grandes mudanças
 
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13/08/2013

A saúde dos adolescentes: um ciclo de grandes mudanças

Estudos recentes indicam os impactos da comunicação na qualidade de vida dos jovens e os aspectos sócio-emocionais

Mudanças sempre geram ações e reações. Talvez, a adolescência seja o período do nosso ciclo de vida mais acentuado e característico quanto a isso. Não é pra menos: meninos e meninas sentem literalmente na pele (e em diversos órgãos do corpo) as alterações intrínsecas à idade. A fonoaudióloga Irene Marchesan, Presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, lembra que, nesta fase, é importante ter cautela e observar. “Muitos pais procuram fonoaudiólogos e se queixam: ‘meu filho era bem comunicativo e agora ele fala de forma quase que incompreensível”, relata. “Na maioria dos casos, para o alivio dos pais, a primeira informação a ser dada é bem simples: há uma mudança natural de comportamento, próprio da adolescência, e que é temporário”, explica Irene Marchesan.

Todas estas alterações têm influência imediata no desenvolvimento dos jovens. A muda vocal é natural, esperada, mas ela ainda preocupa pais e, sobretudo, adolescentes. Porém, nas últimas décadas, outras alterações, de gênero comportamental, têm mexido com a cabeça e o corpo destes jovens: o uso exagerado de fones de ouvidos, o bullying, e sua influência nefasta em pacientes com gagueira, e a atenção dada à estética, que ganha maior relevância frente à função primordial dos tratamentos ortodônticos: a saúde respiratória e oral.

Em todos estes processos, a fonoaudiologia é uma das especialidades que pode auxiliar pais e adolescentes. Por que razão meu filho(a) está falando tão pouco e tão de forma tão precária que dificulta a compreensão? Falar pouco com os pais, falar mais para dentro do que para fora, falar com a boca mais fechada ou com a cabeça baixa dando respostas curtas e às vezes nem respondendo. Isto é normal?

A fonoaudióloga Irene Marchesan explica que sim. “São reações normais. Geralmente, com o amadurecimento e novas responsabilidades, como ingressar no mercado de trabalho ou em uma Universidade, o jovem volta a se comunicar normalmente”, finaliza a presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e especialista em Motricidade Orofacial.

A aparência também é outra preocupação entre os jovens. E, nesta fase, é comum o tratamento ortodôntico, que tem importância muito além da estética. Dentes tortos e mal alinhados prejudicam algumas funções, como mastigar, engolir e falar. “Observamos que os adolescentes têm usado aparelhos de correção do posicionamento dos dentes, já que estão preocupados com sua imagem perante os colegas. Quando o paciente já está em tratamento médico e o dentista percebe que ele continua respirando pela boca, é feito o encaminhamento para um fonoaudiólogo, que irá treiná-lo a respirar pelo nariz, evitando dessa maneira que a boca aberta interfira no tratamento dentário”, explica Marchesan, ressaltando a importância da atuação multidisciplinar, essencial para o sucesso do tratamento. “O fonoaudiólogo vai verificar se o tônus muscular permite que a boca fique fechada e se a forma atual dos dentes permite que ele mastigue e engula também de maneira correta”, completa.

Bullying e Gagueira

O Bullying ainda é um tema que está em voga especialmente nesta fase. E a gagueira, uma das desordens que causam grandes problemas psicológicos, pode estar associada a ele. Melhor: em tese, não é o bulliyng que causa a gagueira, mas a gagueira passa a ser a causa, muitas vez, da prática do bulliyng.

“Infelizmente, a gagueira é exposta como um fenômeno engraçado ou que causa comoção e piedade nas pessoas. O desconhecimento da gagueira como uma desordem de fala leva as pessoas a rotularem o sujeito que gagueja como tímido, inibido e, inúmeras vezes, incapaz. Esse tipo de preconceito gera comentários inadequados, exclusão e, inúmeras vezes, leva ao bullying”, esclarece a fonoaudióloga Cláudia Fassin Arcuri, vice-coordenadora do Departamento de Fluência da SBFa. Por isso, a fonoaudióloga lembra que muitos indivíduos tendem a ter o quadro prejudicado em função da pressão social, da desmotivação, do rebaixamento da autoestima, fazendo-se necessário, em alguns casos, um acompanhamento multidisciplinar, buscando solucionar e dar melhor suporte ao sujeito que gagueja.

A gagueira é uma desordem da fala que afeta diretamente a fluência, causada por uma disfunção do sistema nervoso central (controle motor e temporal da fala), com base genética, que, em sua evolução, pode acarretar impactos psicológicos. A desordem se caracteriza por rupturas involuntárias do fluxo de fala, com episódios de repetições de sons, sílabas, prolongamentos e bloqueios.

A fonoaudióloga Cláudia Arcuri afirma, ainda, que a gagueira se desenvolve, em geral, na infância, entre os 18 meses e os sete anos. Entretanto, alguns indivíduos podem vir a desenvolvê-la até os 12 anos, durante a fase de aquisição e desenvolvimento da linguagem. E alerta: “A ocorrência da gagueira em adolescentes tende a acarretar um impacto social e psicológico importante, uma vez que nesta fase o indivíduo tem maior necessidade de se sentir aceito e inserido em seu grupo social, e a desordem da fluência tende a prejudicar essa inserção”.

Muda Vocal

Na adolescência, a comunicação se torna um requisito quase que “indispensável” para a interação social e acesso profissional do individuo. A voz, mais uma vez, se faz um elemento presente de extrema importância.

“A muda vocal é apenas um aspecto das alterações que ocorrem nessa fase. Essa é decorrente da ação de novos níveis hormonais que culminam na transformação de uma laringe infantil para a adulta. Em ambos os sexos, a laringe é praticamente igual até a puberdade, mas nesse período ocorre um crescimento evidente, mais acentuado nos meninos. Durante essa fase, o tom da voz masculina baixa uma oitava, fato que ocorre em torno dos 13 aos 17 anos e, na mulher, entre 9 e 14 anos, com menos modificações e impactos”, explica a fonoaudióloga Anna Alice Almeida, Coordenadora do Departamento de Voz da SBFa, destacando também que o crescimento dos pelos da axila e da face indicam os estágios finais da maturação e, consequentemente, o término da muda vocal.

Em um estudo recente1, foi identificado que quanto maior a alteração vocal no adolescente, maior o impacto na sua qualidade de vida. Em relação ao impacto da personalidade na voz dos adolescentes, uma pesquisa2 observou que a timidez influencia a forma como o adolescente percebe sua qualidade de vida em voz, quanto aos aspectos sócio-emocionais, o que inclui ansiedade/frustração nas situações de comunicação por causa da voz, e uma menor quantidade de fala do que os não tímidos.

Anna Alice dá uma dica aos pais e adolescentes: “A muda vocal e os problemas da voz em geral merecem um destaque nessa faixa etária, pois é a partir da sua voz que o adolescente poderá se comunicar, se expressar, buscar seu primeiro emprego e se desenvolver em seu meio social. É preciso ter um “facilitador” que estimule a compreensão, a expressão, a criatividade e a percepção por meio da comunicação”, ressalta a fonoaudióloga, lembrando que a especialidade pode auxiliar pais e jovens neste processo durante esse “Ciclo de Vida”.

Sobre a SBFa

Há 30 anos a fonoaudiologia foi oficialmente reconhecida no Brasil (Lei 6.965/81) e há pouco mais de duas décadas foi criada a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa). Com o decorrer dos anos houve a ampliação da articulação do setor com as instituições públicas, como os Ministérios da Saúde e Educação, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), com o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

No biênio 2004/2005, foram planejadas as oficinas de sensibilização de docentes e discentes para o SUS, com aprovação do projeto e o financiamento do Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde.

Os princípios fundamentais da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia são a identidade e exercício profissional, a representatividade nacional e internacional e a modernização da estrutura da SBFa.

Site: ww.sbfa.org.br 

1 LOPES, L. W. ; ALMEIDA, A. A. F. ; LIMA, J. A. S. ; BANDEIRA, R. N. ; VITCEL, R. C.. A relação entre autoavaliação e desvio da qualidade vocal em adolescentes. In: 19º Congresso Brasileiro e 8º Congresso Internacional de Fonoaudiologia, 2011, São Paulo. Anais do 19º Congresso Brasileiro e 8º Congresso Internacional de Fonoaudiologia. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2011. v. 1. p. 1350-1350. Link: [http://www.sbfa.org.br/portal/anais2011/trabalhos_select.php?id_artigo=1350&tt=SESSÃO DE POSTERS]
2 LOPES, L. W. ; ALMEIDA, A. A. F. ; LIMA, J. A. S. ; BANDEIRA, R. N. ; VITCEL, R. C. . Comportamento vocal em adolescentes tímidos e não-tímidos. In: 19º Congresso Brasileiro e 8º Congresso Internacional de Fonoaudiologia, 2011, São Paulo. Anais do 19º Congresso Brasileiro e 8º Congresso Internacional de Fonoaudiologia. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2011. v. 1. p. 1338-1338. Link: [http://www.sbfa.org.br/portal/anais2011/trabalhos_select.php?id_artigo=1302&tt=SESSÃO DE POSTERS]


Autor: Redação
Fonte: Baruco Comunicação Estratégica

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