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5 ritmos que garantem sua postura
 
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25/11/2009

5 ritmos que garantem sua postura

Encontre na dança uma solução para aliviar dores nas costas, pescoço e braços

A maioria das pessoas passa boa parte do dia sentada, seja no trabalho, no carro ou assistindo à televisão. Tal atitude tem chamado a atenção dos sistemas de saúde de vários países, que já promovem ações para estimular a adoção de estilos de vida mais saudáveis. Entre as opções para alguém se tornar ativo fisicamente, a dança tem merecido destaque, pois é um exercício considerado completo.

Um estudo publicado pelo Journal of Physical Education, Recreation & Dance declarou que a prática é muito mais do que arte ou divertimento. Trata-se de uma extraordinária terapia que auxilia na prevenção, administração e tratamento de doenças físicas e mentais. A lista dos benefícios é longa: aumento da capacidade respiratória, cardíaca e cognitiva, fortalecimento muscular, redução do risco de osteoporose, melhora da autoestima, controle do peso, incremento da sociabilidade, controle da demência, coadjuvante no tratamento de Parkinson etc.

Entre as tantas indicações terapêuticas, a melhora da postura é consequência natural e pode atenuar um mal que incomoda 77% das pessoas que utilizam computadores. Quem nunca sentiu dores no pescoço, nas costas ou nos braços, depois de uma longa jornada de trabalho? O problema não se restringe ao mundo dos adultos, pois um estudo publicado pelo The European Journal of Public Health, revelou que o uso frequente de computadores aumenta o risco de dores lombares e no pescoço entre os adolescentes também.

Alinhar a coluna

Conforme Jussara Miller, bailarina, coreógrafa e professora da Faculdade de Dança da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora do livro A escuta do corpo – sistematização da técnica de Klaus Vianna (Summus Editorial), dançar é uma atividade que “promove a consciência do corpo em relação à força da gravidade, possibilitando, dessa forma, uma postura adequada”.

Jussara explica que, em geral, vivemos num estado de ausência corporal e por meio da dança essa condição se modifica. Passamos a compreender como o corpo funciona e, gradativamente, estabelecemos uma “integração com gravidade”. Conforme a bailarina, o reconhecimento das próprias articulações facilita o trabalho de flexibilidade da coluna vertebral, dando espaço aos seus três movimentos: cervical, torácico e lombar. “É aí que o alinhamento postural desperta”.

Novos movimentos

Para Ivaldo Bertazzo, bailarino e coreógrafo, quando dançamos passamos a nos deslocar de outras formas. “Na vida cotidiana só andamos para a frente. Dançando, aprendemos a dominar espaço-distância. Essas novas aptidões favorecem a postura.”

Na opinião do médico Cláudio Santili, professor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBO), para além da postura, o mais importante da dança é a capacidade de colocar as pessoas em movimento, favorecendo o aparelho locomotor e a musculatura. “Como a prática exige o alinhamento do tronco, a coluna vai se acomodando numa posição mais reta e, naturalmente, opõe-se àquela decorrente da acomodação sedentária”, diz o médico.

Dos 8 aos 80

Democrática, a dança pode ser praticada pela maioria das pessoas, independentemente do sexo e idade. No entanto, o médico Cláudio Santili comenta que é muito comum que professores de dança confundam esforço com performance: “Os pais precisam ficar atentos. A dança para as crianças nunca deve perder sua espontaneidade”.
Para os adultos, Ivaldo Bertazzo recomenda que nenhum movimento seja realizado com velocidade: “A pessoa deve ter o cuidado de não se lançar bruscamente”.

Como em qualquer atividade física, antes e depois de dançar, o aquecimento é imprescindível e pode ser realizado por meio de alongamentos, para movimentar as articulações dos membros inferiores, bem como da cadeia muscular posterior (coluna, panturrilha, tornozelos).

Tango

Como funciona:

A estrutura do tango é espiralada. Espirais induzem à torção, resultando num alongamento que dá mais espaço às articulações. Esse movimento se inicia na escápula (região dos ombros), passa pela bacia e chega aos pés.

Trabalhando todo o eixo vertical da parte de cima do corpo, o que é compartilhado com a outra pessoa, melhora a postura. Além disso, o tango tonifica por igual os músculos exatamente porque trabalha essa torção.

Quem pode praticar:

Existem três tipos de tango: o social, o de palco e o show. O primeiro pode ser praticado por todas as pessoas, dos 5 aos 80 anos. O segundo é indicado para bailarinos e o terceiro é para entretenimento.

Quantas vezes por semana:

Dependendo da disponibilidade, pode ser praticado até todos os dias. Mas uma aula por semana, de 1 hora e meia, já é suficiente.

Contraindicações:

O tango social não tem contraindicações, especialmente porque não requer movimento de força extrema, como levantar a mulher no ar, o tipo de habilidade requerida nas duas outras modalidades.

Para aquecer:

O aquecimento é imprescindível, antes do início das aulas ou de um baile, e se resume em movimentos giratórios simples, para alongar a musculatura. Deve-se girar os pés, a bacia, o tronco, soltando os joelhos, ombros e cotovelo, especialmente se a pessoa for muito rígida. Para distensionar, 10 minutos são suficientes.

Trilha sonora:

La Yumba, de Osvaldo Pugliese, maestro argentino.

Consultoria: Vitor Costa, professor da Margareth Kardosh e Vitor Costa.

Balé

Como funciona:

O balé é uma atividade tão completa que já foi comparada à natação. Como trabalha o ajuste corporal às posições longilíneas, bem como o fortalecimento das estruturas musculares, a técnica contribui para a adequação postural.

Portanto, más posturas adquiridas desde a infância podem ser retificadas e incorporadas à vida do praticante, desde que orientado por profissional qualificado.

Quem pode praticar:

Todas as pessoas podem se beneficiar da técnica do balé clássico, independente da idade e do sexo.
Quantas vezes por semana:

Ao menos duas vezes na semana, com aulas de 1 hora e meia de duração. Atenção na escolha do profissional, pois ele deve ser qualificado, principalmente quando o público-alvo for adulto.

Contraindicações:

Não há.

Para aquecer:

Os exercícios de aquecimento devem passar por duas etapas. Na primeira, o aluno deve realizar uma série de alongamentos, contrações, movimentações lentas, concentrando-se em cada atividade. Na segunda, as barras são utilizadas e servem para o mesmo fim, ou seja, relaxar as articulações e colocar todo o corpo no lugar certo.

Trilha sonora:

Para se inspirar, ouça todo o repertório da obra O lago dos cisnes, de Tchaikovsky.

Consultoria: Karen Ribeiro, bailarina clássica, terapeuta ocupacional e professora de balé clássico para adultos.

Dança de salão

Como funciona:

Dançar a dois implica em mais atenção ao posicionamento não apenas de partes do próprio corpo (tronco, braços e pernas), mas também do outro como um todo. Isso melhora a percepção corporal, resultando em movimentos mais harmônicos e coordenados e, portanto, uma melhor postura.

Quem pode praticar:

Todos são capazes de dançar. Habilidades específicas podem ser necessárias, caso a pessoa queira dançar profissionalmente.

Quantas vezes por semana:

No caso da dança, quanto mais, melhor. Estudo recente realizado por C. Fonseca, da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, demonstrou que a prática por três meses, uma ou duas vezes por semana, é o suficiente para a melhora da percepção corporal e satisfação pessoal.

Contraindicações:

Não existem, exceto quando a pessoa tem problemas que impeçam a atividade física.

Para aquecer:

Iniciar dançando um gênero mais suave, como o boléro ou uma música mais lenta antes de passar para formas mais agitadas.

Trilha sonora:
Para samba e gafieira, Jorge Aragão ou Emílio Santiago..

Consultoria: Eliane Gama, gerente da escola de dança dance forte e coordenadora do laboratório de percepção corporal da Universidade São Judas Tadeu, e Henrique Ishii.

Dança do ventre

Como funciona:

Por trabalhar todas as cadeias musculares envolvendo a flexibilidade da coluna vertebral, auxilia no reconhecimento do corpo, permitindo a melhora do alinhamento da coluna, o equilíbrio, além do relaxamento das tensões.

Quem pode praticar:

Todas as pessoas, independente de idade e biótipo.

Quantas vezes por semana:

O ideal seria duas vezes por semana, porém, mesmo que seja uma aula semanal, já é possível, dentro de alguns meses, notar os benefícios posturais.

Contraindicações:

Praticamente não há, mas mulheres grávidas devem evitar os movimentos de ondulação abdominal nos três primeiros meses de gestação.

Para aquecer:

Pode-se iniciar com uma massagem nos pés, afastando-os como forma de preparação das pernas e dos pés. Segue-se o alongamento, aproveitando os próprios movimentos circulares da dança.

Trilha sonora:

CD Arabesque, do grupo brasileiro MA3.

Consultoria: Kamilla Mesquita, mestranda em artes e graduada em dança, atua como professora da APAE -campinas e bailarina.

Flamenco

Como funciona:

O flamenco como dança não só ajuda na postura, como tonifica o corpo. A preparação física se compõe de uma série de exercícios aeróbicos (o que aumenta a capacidade cardiovascular) e anaeróbicos (força muscular), que ajudam a aliviar as tensões articulares e, consequentemente, alinham a postura.

Quem pode praticar:
Todas as pessoas e em qualquer idade. Porém uma criança ou um adolescente são muito mais receptivos do que uma pessoa que inicia a dança na terceira idade.

Quantas vezes por semana:

É recomendado destinar pelo menos 5 horas semanais para as aulas.

Contraindicações:

O flamenco é uma dança de alta performance e, se o bailarino tem a aspiração de praticá-la, deve se preparar com afinco.

Para aquecer:

O correto é dispor de ao menos 30 minutos para a realização de uma série de exercícios físicos, como corrida em círculos e alongamentos.

Trilha sonora:

Qualquer disco do músico responsável pela evolução musical do flamenco, Paco de Lucía.

Consultoria: Bernardo de Barros, coreógrafo e bailarino de flamenco.


Autor: Cristina Almeida
Fonte: Viva Saúde

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