GS1 Talks debate o futuro da saúde conectada no Brasil
Futuro que começa a se concretizar com a saúde conectada
Você já imaginou chegar a um hospital onde todos os seus dados de saúde, como consultas, exames, medicamentos e histórico médico estejam atualizados e acessíveis de forma segura em qualquer instituição?
Esse é o futuro que começa a se concretizar com a saúde conectada, tema do novo episódio do GS1 Talks, gravado durante o Brasil em Código 2025.
O programa reuniu Jalmor Muller, diretor de Inovação da Beneficência Portuguesa; e Nilson Malta, gerente de Saúde da GS1 Brasil, para discutir como padrões de dados e tecnologias emergentes estão transformando a gestão hospitalar e a experiência do paciente.
Interoperabilidade e dados: o alicerce da saúde conectada
De prontuários eletrônicos a sistemas de auditoria com inteligência artificial, a digitalização do setor de saúde tem avançado rapidamente, mas ainda enfrenta o desafio da padronização e integração das informações.
Segundo os convidados, cada hospital costuma usar códigos e nomenclaturas próprios para insumos, medicamentos e procedimentos, o que dificulta o compartilhamento de dados entre instituições.
“Pensa num simples curativo: em um hospital ele tem um código, em outro, outro número. Sem um padrão, fica impossível trocar informações de forma estruturada”, explicou Jalmor Muller, ao abordar a importância de adotar padrões reconhecidos globalmente, como os da GS1 e o protocolo internacional HL7 FHIR, já em uso na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) do Ministério da Saúde.
Inteligência artificial e eficiência operacional
A inteligência artificial já começa a reduzir a burocracia e aumentar a precisão de processos administrativos e clínicos.
Um exemplo citado foi a aplicação de algoritmos que analisam contratos hospitalares com operadoras de planos de saúde.
Em vez de auditores revisarem manualmente milhares de páginas, a IA identifica inconsistências automaticamente, liberando os profissionais para tarefas mais estratégicas.
No campo clínico, a tecnologia também tem papel decisivo.
Na Beneficência Portuguesa, uma solução de IA analisa imagens de raio?X à procura de possíveis nódulos pulmonares, mesmo quando o exame foi solicitado para outra finalidade.
“O paciente vai ao hospital por causa de uma gripe, mas a IA ajuda a detectar um problema mais sério, como um nódulo, antes que ele cause danos”, destacou Muller.
Padrões GS1 e rastreabilidade garantem segurança do paciente
Além da eficiência, a segurança do paciente é um dos motores da digitalização hospitalar.
Nilson Malta, que também atua no Hospital Israelita Albert Einstein, lembrou que a correta identificação de medicamentos e materiais médicos é fundamental para evitar erros.
“No nosso hospital, trabalhamos com a unitarização das doses, cada comprimido é identificado individualmente com códigos GS1. Assim, garantimos que o medicamento certo chegue ao paciente certo, no momento correto.”
Essa rastreabilidade também é essencial em casos de recall de medicamentos ou vacinas.
Se um lote apresentar falhas, o hospital pode identificar rapidamente quem recebeu aquela dose e adotar medidas imediatas.
Cultura e política: os novos desafios da transformação digital
Apesar dos avanços tecnológicos, os especialistas destacam que os maiores obstáculos ainda são culturais e institucionais.
O compartilhamento de dados entre hospitais, operadoras e o poder público ainda caminha lentamente, seja por falta de integração de sistemas, seja por resistência à abertura de informações.
“Hoje o problema não é mais a tecnologia. É a cultura de compartilhamento”, afirmou Malta. Segundo ele, a digitalização padronizada é o primeiro passo para que a interoperabilidade se torne realidade.
O papel dos padrões globais na construção desse futuro
Os padrões de identificação criados pela GS1, utilizados mundialmente em diferentes setores, mostram agora seu potencial na saúde.
Do varejo ao agronegócio, e agora na cadeia hospitalar, eles possibilitam que todos “falem a mesma língua” em um ambiente cada vez mais conectado.
Como sintetizou Débora Freire, apresentadora do episódio, “a vida sem padrões é muito mais complicada”.
Ao conectar pessoas, instituições e dados, a saúde conectada não apenas melhora processos.
Ela salva vidas, garantindo mais segurança, transparência e eficiência em toda a cadeia de cuidado.
Saúde conectada
A digitalização da saúde é inevitável, mas seu sucesso depende de colaboração e confiança.
Como mostraram os especialistas do GS1 Talks, o futuro dos hospitais será definido não apenas pela tecnologia adotada, mas pela capacidade de compartilhar dados de forma segura e padronizada. Em um mundo onde cada informação pode significar a diferença entre risco e cuidado, falar a mesma língua, a dos padrões globais, é o que tornará a saúde conectada uma realidade permanente no Brasil.
Assista ao episódio completo:
Autor: Redação
Fonte: GS1 Brasil
Autor da Foto: Reprodução YouTube
SIS.SAÚDE - Sistema de Informação em Saúde - Brasil
O SIS.Saúde tem o propósito de prestar informações em saúde, não é um hospital ou clínica.
Não atendemos pacientes e não fornecemos tratamentos.
Administração do site e-mail: mappel@sissaude.com.br. (51) 2160-6581