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Estudo inédito para identificar carótidas que têm maior risco de causar um AVC
 
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15/01/2026

Estudo inédito para identificar carótidas que têm maior risco de causar um AVC

Com uso de IA, pesquisadores realizam estudo inédito que aponta uma importante mudança na forma de prevenir e tratar o acidente vascular cerebral

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Ele ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido, em 20% das vezes por um coágulo que se desprende de uma placa de gordura na artéria carótida. Com foco na inovação e na pesquisa clínica como avanço da medicina, um novo estudo conduzido no Hospital Moinhos de Vento aponta uma mudança importante na forma de prevenir e tratar o AVC.

Com uso de inteligência artificial e angiotomografia computadorizada (angio-TC), pesquisadores buscam identificar quais placas de gordura nas artérias do pescoço, as carótidas, têm maior risco de se romper e causar um AVC. Até pouco tempo, o risco era avaliado apenas pelo grau de entupimento da artéria. Agora, o foco passa a ser a composição da placa — se ela é mais "macia" (rica em gordura) ou mais "dura" (com predomínio de tecido fibroso ou cálcio).

O projeto de pesquisa teve início em janeiro de 2025 e visa analisar cerca de 100 pacientes que realizaram angiotomografia por suspeita de AVC. As imagens estão sendo reprocessadas com o módulo CT Plaque Analysis, e os resultados finais devem ser apresentados no primeiro semestre de 2026. Além de avaliar a composição das placas, o grupo analisa a relação entre o volume de gordura e o de tecido fibroso, criando um índice de vulnerabilidade que pode prever o risco de embolização cerebral.

Durante a pesquisa, pela primeira vez, a imagem gerada pela IA foi usada para escolher o tipo de stent implantado durante o procedimento. Os achados foram confirmados em tempo real por ultrassom intravascular (IVUS), um exame feito dentro da artéria que permite enxergar a parede do vaso por dentro, comprovando a precisão da análise automatizada. "Nem sempre a artéria mais estreita é a mais perigosa. Às vezes, uma placa menor, mas instável, pode se romper e causar um AVC", explica o cirurgião vascular, Alexandre Araújo Pereira, idealizador do estudo.

Os pesquisadores usaram um software de análise de imagem desenvolvido pela Siemens Healthineers, que aplica algoritmos de IA para identificar automaticamente o tipo de tecido dentro da placa — gordura, fibra ou cálcio — com base nos diferentes tons captados pela tomografia. O sistema gera uma imagem colorida e tridimensional da artéria, destacando as áreas de maior vulnerabilidade, que são analisadas pela residente em radiologia Gabriela Carboni e pelo chefe do Serviço de Radiologia do Hospital Moinhos de Vento, Henrique Guerra. A ideia do estudo é inicialmente descrever a característica das placas para que futuramente o protocolo possa ser usado na prática clínica.

Em um estudo piloto derivado do principal, os dados gerados pelo software foram utilizados para escolher o tipo ideal de stent para um paciente de 72 anos que havia sofrido um AVC recente. O algoritmo que analisa milhares de características da placa não visíveis a olho nu, potencialmente escolhendo o modelo e a estrutura mais adequados de acordo com o comportamento previsto da placa. Durante o procedimento, o uso do IVUS confirmou a correspondência entre o que a IA havia identificado e o que se observava na realidade da artéria, validando o método de forma inédita.

As análises preliminares sugerem que placas com maior proporção de núcleo lipídico e superfície irregular estão fortemente associadas à instabilidade. A novidade está em transformar essas informações em ferramentas práticas de decisão clínica — tanto para indicar o tratamento quanto para definir como ele será feito.

"É um passo além da previsão de risco. Agora conseguimos usar a própria imagem gerada pela IA para guiar a estratégia terapêutica, personalizando o tratamento para cada paciente", destaca Pereira. Com essa tecnologia, será possível prever o risco de AVC antes que ele aconteça e, quando o tratamento for necessário, escolher o dispositivo mais seguro para cada tipo de placa.

Segundo o coordenador do estudo, na prática, isso significa menos complicações, menos embolizações cerebrais durante os procedimentos e tratamentos mais direcionados. "O uso combinado de IA e ultrassom intravascular representa um novo paradigma na medicina vascular, unindo diagnóstico avançado e personalização terapêutica em um mesmo fluxo de cuidado", complementa o pesquisador.

Para a chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, este tipo de pesquisa mostra o poder da integração entre tecnologia e a pesquisa clínica. "Ao usarmos a inteligência artificial para entender melhor o comportamento das placas nas carótidas, que podem causar AVCs graves, conseguimos prever e evitar o acidente antes que ele aconteça. É um exemplo concreto de como a inovação pode transformar a prevenção e o tratamento", finaliza.  


Autor: Redação
Fonte: Moinhos Critério
Autor da Foto: Leonardo Lenskij

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