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Amarelo real
 
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23/12/2009

Amarelo real

Oriundo das cortes imperiais da China, o chá amarelo é eficaz contra o envelhecimento, facilita o controle do peso e ainda ajuda no combate ao câncer

A bebida de sabor suave e rica em propriedades antioxidantes pode ser inserida no topo da lista das inúmeras contribuições orientais para o equilíbrio do organismo. O aspecto amarelo-dourado é proposital: de acordo com o médico e fitoterapeuta Alexandros Botsaris, do Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais, o chá foi desenvolvido por produtores chineses de modo que tivesse a mesma cor da realeza, para agradar o imperador.

De difícil cultivo e processamento, era uma regalia exclusiva das elites. Um chá, portanto, de alta qualidade, que recentemente vem ganhando notoriedade no mundo ocidental, sobretudo quando o assunto é saúde.

Vantagens no paladar

A planta de origem é a mesma dos chás verde, branco e vermelho, de nome científico Camellia sinensis ou Thea sinensis. A diferença está no modo de produção (veja na página 38). "Depois de colhidas, as folhas passam por um processo de secagem lento", explica Botsaris.

De acordo com o fitoterapeuta, elas ficam repousadas até adquirirem uma aparência mais amarelada, o que faz que a cor do chá também mude. Por ser um procedimento trabalhoso, o chá amarelo é o mais raro entre os demais tipos, produzido apenas na China. O fator mais levado em conta no momento de sua produção é a eliminação do gosto forte e mais amargo característico do chá-verde, o que constitui a grande diferença entre as duas bebidas.

Com o processo de secagem demorada, o sabor fica mais agradável. "É um gosto leve, fácil de habituar e mais gostoso de apreciar, fazendo que o chá amarelo seja uma opção mais atraente", conta Kali Nardino, consultor farmacêutico da Divine Shen. O aroma também se torna distinto, descrito por muitos especialistas como fresco e floral. "Se for misturado com outras ervas, o cheiro pode ser até confundido com o do chá-preto", diz Nardino.

Além de mais saboroso, o chá amarelo possui tantos benefícios quanto o chá-verde. Ele é rico em três potentes antioxidantes

Três antioxidantes poderosos

O chá amarelo possui tantos benefícios quanto o seu parente, o chá-verde. Nardino explica que ele é rico em três tipos de antioxidantes, chamados polifenóis: "Pertencentes à variedade do catequina/polifenol, esses três compostos são considerados como os antioxidantes mais potentes que podem ser encontrados nos alimentos".

O primeiro, tanino, é o elemento que pode auxiliar na redução do colesterol ruim (LDL), melhorar o fluxo do sistema venoso e prevenir males circulatórios, sobretudo a aterosclerose, doença inflamatória crônica caracterizada pela formação de placas de lipídios e tecidos fibrosos dentro dos vasos sanguíneos.

Já os outros dois tipos, flavonoides e catequina, representam uma ótima vantagem para quem precisa reduzir o excesso de peso: aumentam o metabolismo dos lipídios e dos carboidratos, acelerando a queima de gordura. Esses três polifenóis ainda são responsáveis por proteger o corpo dos chamados radicais livres, que são moléculas ligadas a processos degenerativos do organismo.

Como resultado, há um maior combate ao rápido envelhecimento das células, contribuindo para um corpo mais jovem e saudável. "É por isso que muitos especialistas recomendam a ingestão dessa bebida preciosa para prolongar até mesmo a vida", diz Nardino.

Abaixo o câncer!

Assim como as demais bebidas provenientes da Camellia sinensis, o chá amarelo também ajuda a prevenir alguns tipos de tumores, graças à presença dos antioxidantes. Existem estudos que confirmam essa atribuição. Um deles foi conduzido por pesquisadores da Keck School of Medicine of USC, nos Estados Unidos, que concluíram que os chás podem fazer muito mais do que simplesmente aliviar uma azia.

Entre os participantes do estudo, aqueles que bebiam chá apresentavam quase a metade do risco de desenvolver câncer de estômago ou esôfago ao serem comparados aos demais. O motivo é a presença das já citadas catequinas, que têm o poder de interromper o crescimento da célula tumoral, além de proteger as células saudáveis de possíveis danos.

Os pesquisadores apontaram, ainda, que essas substâncias podem ser tão poderosas quanto as vitaminas C e E, também famosas pela função antioxidante. Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada na Universidade de Tokohu, no Japão, indicou que o consumo habitual da planta da qual o chá amarelo é derivado previne inflamações na gengiva e até tumores na boca e na mama.

Além disso, os especialistas constataram que os polifenóis ajudam a reforçar as artérias e o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, comprovando o poder de prevenção contra doenças cardiovasculares.

Família de chás

Na produção dos chás derivados da planta Camellia sinensis, as folhas rapidamente começam a oxidar logo que são apanhadas. Por isso, o passo seguinte é interromper essa oxidação removendo a água das folhas, por meio do aquecimento. Assim, o chá pode ser classificado em diferentes tipos, baseados no grau de oxidação e nas etapas do procedimento:

Chá branco: são colhidas apenas as folhas jovens que não sofreram efeitos de oxidação, apresentando um aspecto esbranquiçado. O gosto é leve.

Chá-verde: a oxidação é interrompida pela aplicação de calor, por meio de vapor (método tradicional japonês) ou em bandejas quentes (método tradicional chinês). O sabor é mais forte e amargo que os demais.

Chá-preto: a oxidação das folhas é deixada até que fiquem escurecidas. Possui alto teor de cafeína e sabor bem peculiar.

Chá vermelho: passa por um processo de maturação natural e prolongado. O sabor é mais sutil que o chá-verde, apesar de também ser forte.

Chá amarelo: com produção semelhante à do chá-verde, porém, com uma fase de secagem das folhas mais demorada. O sabor é suave.

Mais benefícios

As vantagens do chá amarelo não terminam por aí: "Com o aumento da ingestão de chás e, consequentemente, de líquidos, é possível evitar a retenção hídrica do corpo", explica Nardino.

Isso quer dizer que o consumo regular da bebida pode ajudar a diminuir o aspecto de inchaço do organismo. Além disso, pesquisas em centros dos Estados Unidos e da Europa mostraram que esse líquido faz bem para a pele. O motivo, mais uma vez, são poderosos antioxidantes, que atuam contra o aparecimento de rugas precoces.

O chá amarelo também pode conter traços de cafeína, que serve como estimulante natural e ajuda na perda de peso, por exigir muita energia para ser digerida. Nesse ponto, porém, é preciso ter cuidado: se ingerida em excesso, essa substância pode aumentar a pressão arterial e, em casos extremos, causar problemas como dor de cabeça e náuseas. Por isso, aqueles que sofrem de insônia e hipertensão devem evitar o consumo exagerado.

Como e quanto consumir?

Atento ao fator da cafeína, não há outras contraindicações. Para se ter uma ideia da quantidade ideal, estudos indicam que chás derivados da Camellia sinensis devem ter um consumo diário que não ultrapasse seis xícaras. "Pensando no uso do chá amarelo como antioxidante que ajuda na prevenção do envelhecimento, a quantidade aconselhável é três xícaras ao dia", sugere Botsaris.

O chá amarelo pode ser preparado da mesma forma que o chá branco, com uma temperatura da água que não ultrapasse 80°C. Nardino aconselha uma colher (sopa) de folhas soltas para 150 mililitros de água. "Se a bebida for ingerida na temperatura morna ou quente, pode facilitar ainda mais a digestão", diz o especialista. No entanto, é difícil encontrar folhas de chá amarelo no mercado.

Elas são raras até mesmo na China, produzidas apenas em pequenas quantidades. No Brasil, é possível encontrar marcas que utilizam a essência da Camellia sinensis para a produção do chá em pó solúvel ou em cápsulas. "Essas versões não possuem os benefícios, o gosto e o aroma na mesma intensidade que o chá natural, mas podem ser boas opções", comenta Nardino.

Ele aponta que é preciso apenas olhar atentamente o rótulo do produto. "Algumas marcas usam maltodextrina e outros tipos de carboidratos para melhorar a consistência, o que não traz ganho algum para a saúde", justifica


Autor: Letícia Pimentel
Fonte: Revista Vida Natural

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