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Síndrome da fibromialgia: dor crônica
 
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29/09/2009

Síndrome da fibromialgia: dor crônica

Estudos recentes revelam benefícios da Coenzima Q10 no tratamento desta e de várias outras patologias

A síndrome da fibromialgia é caracterizada por dor crônica acompanhada por outros sintomas como fadiga, dor de cabeça, perturbações no sono e depressão. Sua patogênese ainda não é inteiramente conhecida (CORDERO et al., no prelo).

A prevalência dessa síndrome é entre 0,66 e 4,4% da população, afetando mais pessoas entre 35 e 60 anos (CAVALCANTE et al., 2006). Estudo de Helfenstein e Feldman (2002), com a população brasileira, revelou que 99,5% das pessoas com essa síndrome eram do gênero feminino e a média de dor músculo-esquelética foi de 10 anos. Também, aproximadamente 70% dessas pessoas apresentavam parestesias, dificuldades de memória, palpitações, tonturas, sensação de inchaço e dor torácica.
 
Devido à dificuldade do diagnóstico dessa síndrome, os critérios utilizados são baseados do Colégio Americano de Reumatologia (1990) para classificação da Fibromialgia. Esses critérios foram validados para a população brasileira no estudo de Haun et al. (1999).
 
Contudo, Martinez (2006) comentou que, embora esses critérios representem um grande avanço para o diagnóstico correto, ainda deixam a desejar. Com isso, vem ocorrendo uma tendência de uma abundância de diagnósticos como falsos positivos para essa síndrome.
 
Outro aspecto identificado por Helfenstein e Feldman (2002) foi que a falta de diagnóstico adequado, devido ao quadro clínico polimorfo, levou a parte das pessoas com essa síndrome a tratamentos pouco apropriados, piorando a severidade do quadro. Assim, o diagnóstico correto é uma questão fundamental para o tratamento dessa síndrome.
 
Se o diagnóstico dessa síndrome representa uma questão controversa, o mesmo pode ser referido ao tratamento. Programas de tratamento mostram efeitos em apenas parte das populações estudadas. Por exemplo, no estudo de Torres et al. (no prelo), foi administrado um programa multidisciplinar por 12 meses em 98 pessoas em licença médica do trabalho. O tratamento incluiu: educação sobre a fibromialgia, tratamento farmacológico, terapia cognitivo-comportamental (relaxamento muscular, re-estruturação cognitiva e positividade), terapia física (exercício aeróbio e alongamento, terapia fria e excitação elétrica transcultânea) e terapia ocupacional (treinamento progressivo no desempenho ergonômico e das atividades diárias; avaliação e modificação, quando necessário, do ambiente de trabalho). Dentre as 98 pessoas tratadas, 50 (53,2%) evidenciaram melhora do quadro de fibromialgia e 44 (46,8%) não obtiveram melhoras.
 
No entanto, a eficácia do tratamento com a Coenzima Q10 (CoQ10) foi observada no estudo de Cordero et al. (no prelo). Segundo os autores, pelo fato dos músculos de pessoas com fibromialgia mostrarem redução da CoQ10, eles estudaram a ação dessa substância em níveis sanguíneos e celulares em pessoas com essa síndrome. O estudo foi realizado com 40 pessoas (4 do gênero masculino, 36 do gênero feminino) e 30 pessoas saudáveis (7 do gênero masculino, 23 do gênero feminino) sem dor declarada, que representaram o grupo controle.
 
Os autores encontraram que, com o tratamento, os níveis de CoQ10 no protoplasma foram mais altos no grupo com fibromialgia que no grupo controle. Também, antes do tratamento, mais células mononucleares no sangue mostraram uma diminuição de CoQ10 nas pessoas com fibromialgia, indicando que, de fato, havia uma deficiência orgânica da distribuição da CoQ10 no sangue desses pacientes.
 
A CoQ10 é um componente essencial para estabilizar as funções das membranas celulares, agindo como um antioxidante potente, ou seja, reduz os radicais livres, sendo vital para o metabolismo da energia celular (CORDERO et al., no prelo; TERAN et al., no prelo). Essa substância é produzida pelo corpo humano, mas sua quantidade varia de acordo com a dieta.
 
Outro aspecto importante é que o processo de envelhecimento pode reduzir a quantidade dessa substância no organismo, contribuindo com o estresse oxidativo (aumento de radicais livres) (RUIZ-JIMÉNEZ et al., 2007). Segundo Barreiros et al., a CoQ10 é ativamente produzida até os 30 anos de idade, posteriormente, há uma estagnação e progressivo decréscimo no organismo.
 
A deficiência de CoQ10 está envolvida em condições patológicas como câncer, doenças cardiovasculares, musculares, mitocondriais e degenerativas do cérebro, como o Mal de Alzheimer (CORDERO et al., no prelo; TERAN et al., no prelo). A redução significante de concentração de CoQ10 na região do córtex cerebral foi associada com a doença de Parkinson no estudo de Hargreaves et al. (2008). Igualmente, a baixa concentração dessa substância foi um fator preditivo de morte por parada cardíaca (MOLYNEUX et al., 2008).
 
Teran et al. (no prelo) também evidenciaram que mulheres com pré-eclâmpcia na gravidez obtiveram o risco significativamente diminuído com a suplementação com a CoQ10. Estudos com animais evidenciaram que essa substância pôde ser protetiva para o glaucoma (Russo et al., 2008); a morte de algumas células do cérebro (KHAN et al, 2007); bem como para o envelhecimento cerebral em ratos, não permitindo a redução do volume cerebral e do hipocampo. Os estudos com animais são realizados quando não é possível de executá-los em humanos, por serem de alguma maneira invasivos, e os resultados encontrados podem ser sugeridos aos seres humanos.
 
Assim, as evidências científicas encontradas nos estudos recentes sobre a Coenzima Q10 demonstram sua eficácia na prevenção e no tratamento de várias patologias, incluindo a síndrome de fibromialgia, além de proteger do estresse oxidativo em nível celular. A síndrome de fibromialgia, ao longo do tempo, foi tratada com programas multidisciplinares com eficácia moderada, não surtindo efeito em todos os casos. Além desses programas nem serem disponíveis a todas as pessoas devido aos seus altos custos por exigirem uma equipe de saúde. Se de fato essa síndrome está associada à redução da CoQ10 nos tecidos musculares, como comprovou o estudo de Cordero et al. (no prelo), então, um prognóstico mais favorável é apresentado às pessoas com essa síndrome, com uma importância clínica e farmacológica ímpar, representando um tratamento acessível à maioria das pessoas.
 
Os estudos não evidenciaram efeitos colaterais dessa substância, que é administrada via oral, pelo fato desta ser produzida pelo próprio organismo e as dosagens ministradas serem adequadas às necessidades de cada caso. A CoQ10 é um suplemento alimentar que pode ser manipulado farmacologicamente ou é encontrado disponível comercialmente.
 
Entretanto, alerta-se as pessoas que seu uso não deve ser indiscriminado, por não se conhecer os efeitos possíveis nesse caso, além de que uma subdosagem podem não surtir os efeitos necessários. Assim, um médico deve ser procurado para o receituário das doses adequadas.
 
Como esses estudos são muito recentes, nem todos os médicos podem conhecer a ação e os benefícios dessa substância nas várias patologias existentes. Porém, as referências bibliográficas deste estudo podem ser apresentadas ao médico responsável pelo tratamento, para que ele possa pesquisar os artigos respectivos.
 
Portanto, podemos concluir que há um interesse crescente, na atualidade, de se estudar a importância da suplementação alimentar com a CoQ10 como forma de prevenção e tratamento de várias patologias. O estresse do dia-a-dia, uma alimentação não satisfatória e o processo de envelhecimento podem redundar em deficiências dessa substância no organismo, contribuindo como o surgimento de uma série de doenças. A CoQ10 pode representar um suplemento alimentar importante para muitos casos, que deve ser associada a uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos.
 
 
Saiba mais a respeito
 
 
 
 
 
Referências
 
BARREIROS, A. L. B. S.; DAVID, J. M.; DAVID, J. P. Oxidative stress: relations between the formation of reactive species and the organism's defense. Química Nova, v. 29, n. 1, p. 113-123, fev. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422006000100021&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 31  Jan.  2009.
 
CAVALCANTE, A B. et al. A Prevalência de fibromialgia: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 46, n. 1, p. 40-48, jan.-fev. 2006. Disponível em:  http://pandoranet.info/documents/APrevalenciadeFibromialgiaumaRevisaodeLiteratura.pdf. Acesso em: 30  Jan.  2009.
 
CORDERO, M.D. et al. Coenzyme Q10 distribution in blood is altered in patients with Fibromyalgia. Clinical Biochemistry, no prelo.
 
HARGREAVES, I. P.; LANE, A.; SLEIMAN, P. M.A. The coenzyme Q10 status of the brain regions of Parkinson’s disease patients. Neuroscience Letters, v. 447, n. 1, p. 17-19, 2008.
 
HAUN, M. V. A.; FERRAZ, M. B.; POLLAK, D. F. Validação dos critérios do Colégio Americano de Reumatologia (1990) para classificação da Fibromialgia , em uma população brasileira. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 39, n. 4, p. 221-230, jul.-ago. 1999.
 
HELFENSTEIN, M.; FELDMAN, D. Síndrome da fibromialgia: características clínicas e associações com outras síndromes disfuncionais. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 42, n.1, p. 8-14, jan.-fev. 2002.
 
KHAN, M. et al. Coenzyme Q10 does not protect cochlear hair cells from death in the ischemic organotypic culture. Otolaryngology - Head and Neck Surgery, v. 137, n. 6, p. 950-952, dez. 2007.
 
MARTINEZ, J. E. Fibromialgia: o desafio do diagnóstico correto. Revista Brasileira de Reumatologia,  v. 46,  n. 1, p. 1-2, fev.  2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042006000100002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 30  Jan.  2009.
 
MOLYNEUX, S. L. et al. Coenzyme Q10: An independent predictor of mortality in chronic heart failure. Journal of the American College of Cardiology, v. 52, n. 18, p. 1435-1441, out. 2008.
 
RUIZ-JIMÉNEZ, J. et al. Determination of the ubiquinol-10 and ubiquinone-10 (coenzyme Q10) in human serum by liquid chromatography tandem mass spectrometry to evaluate the oxidative stress. Journal of Chromatography, v. 1175, n. 2, p. 242-248, 2007.
 
RUSSO, R. et al. Rational basis for the development of coenzyme Q10 as a neurotherapeutic agent for retinal protection. Progress in Brain Research, v. 173, p. 575-582, 2008.
 
TERAN et al. Coenzyme Q10 supplementation during pregnancy reduces the risk of pre-eclampsia. International Journal of Gynecology & Obstetrics, no prelo.
 
TORRES, X. et al. Pain locus of control predicts return to work among Spanish fibromyalgia patients after completion of a multidisciplinary pain program. General Hospital Psychiatry, no prelo.

Autor: Marli Appel - Equipe Sis.Saúde
Fonte: Vide referências

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