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15/03/2009

Coração

Ingestão de potássio reduz risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral

O Jornal Folha de São Paulo publicou em janeiro matéria no caderno de saúde informando que o aumento do consumo de potássio, combinado à conhecida orientação de redução de sal, provoca melhores efeitos à saúde cardiovascular. A conclusão é resultado de um estudo publicado neste mês no “Archives of Internal Medicine”, realizado com 2.974 pacientes pré-hipertensos.

Os pesquisadores analisaram a excreção de sódio e de potássio na urina dos pacientes para estabelecer uma relação entre a ingestão desses minerais e a ocorrência de eventos cardiovasculares relacionados à pressão alta, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Os melhores resultados foram encontrados ao combinar baixa ingestão de sódio com alto consumo de potássio. Nesse caso, as chances de o paciente desenvolver algum problema cardiovascular foi até 50% menor. Ao avaliar somente a redução de sódio no organismo (sem aliar a maior consumo de potássio), os pesquisadores de cinco instituições dos EUA constataram que os participantes com baixa ingestão do mineral tiveram 20% menos risco de sofrer AVC ou infarto.

O potássio ajuda a promover a dilatação dos vasos e melhora o fluxo sanguíneo. Além disso, o mineral melhora a sensibilidade à insulina, o que pode ajudar pacientes que desenvolveram resistência ao hormônio. As principais fontes de potássio são os alimentos ricos no mineral, como melão e tomate, e os sais que substituem o sal de cozinha convencional, conhecidos no mercado como ‘light’.

Muito mais que por afirmações autoritárias, a medicina moderna guia-se por detecção de evidências a partir de observações clínicas confiáveis. Recente publicação nos Archives of Internal Medicine de um estudo de 2.974 paciente pré-hipertensos, demonstra que combinar baixa ingestão de sódio com alta de potássio reduz 50% o risco de desenvolver infarto e acidente vascular cerebral, enquanto que a baixa ingestão isolada de sódio reduz em apenas 20% esses mesmos desfechos. Isso valida condutas que muitos médicos já vinham recomendando a seus pacientes. Por quê?

Há muito tempo sabe-se, por meio de extensa literatura médica, que excesso de sódio retém líquido no organismo, ajuda a formar edemas e enrijece as artérias, facilitando o aparecimento e/ou o agravamento de hipertensão arterial sistêmica, e que hipertensão leve pode ser controlada só com restrição dietética de sal, diminuindo o aparecimento de complicações da doença hipertensiva, como insuficiência cardíaca e renal, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

O sódio é elemento essencial ao metabolismo e imprescindível à atividade elétrica celular, além de outras funções. Entretanto, por vício cultural alimentar ingerimos, sob forma de sal de cozinha, o dobro ou o triplo (8 a 12 g/dia) de sódio necessário que uma dieta equilibrada já fornece a partir do sódio dos alimentos (2 a 4 g/dia). A American Heart Association recomenda 2300 mg de sódio na dieta diária. No entanto, para as pessoas que já sofrem de pressão arterial alta, de meia idade e idosos e negros recomenda apenas 1500mg por dia. Como corrigir a ingestão excessiva? Reeducando o hábito alimentar ao desprezar o saleiro ou a pipoca salgada. Como visto, só isso é capaz de reduzir em 20% o surgimento de graves conseqüências cardiovasculares.

Comer uma dieta baixa em sódio não significa que seu alimento tem de ser insípido e de cortar todo o sal na dieta. Existem centenas de maneiras de temperar saudavelmente a alimentação, com vinho, limão, pimenta, frutas e substitutivos do sal de cozinha (cloreto de sódio), abundantes no mercado. A relativa novidade é a potenciação negativa do mesmo risco quando se combina maior ingestão de potássio com redução de sódio. Novamente por quê?

Sódio e potássio trabalham em união - e com outros minerais -, equilibrando a pressão sanguínea e controlando a contração das fibras musculares, inclusive as do coração, além de manter sob controle o volume de líquidos no organismo. Por seu turno, o potássio é um elemento insubstituível na fisiologia do coração, na geração de energia para a atividade celular, nas contrações musculares e na transmissão de estímulos nervosos.

O relativo aumento da ingestão de potássio induz a troca, pelos rins, de sódio excedente por potássio, com vantagens. Ao contrário do sódio, em proporções adequadas relaxa a musculatura vascular, dilata os vasos, aumenta o fluxo sanguíneo e reduz a pressão arterial, diminuindo o trabalho cardíaco e aumentando a vida útil do coração. Existe muito mais potássio que sódio dentro das células. Por isso, níveis normais de potássio e sódio no sangue circulante são respectivamente de 5,5 e 140 mEq/L

Assim é que o potássio pode estar normal no sangue e baixo nas células, dificilmente ocorrendo essa desproporção com o sódio. Por isso também maior ingestão de alimentos ricos em potássio pode fornecer o plus que as células estão necessitando, o que justifica abundante ingestão desse mineral, normalmente presente em banana, tomate, couve, folhas verdes, melão, espinafre, batata, legumes em geral. Lembre-se, entretanto, que equilibrar a dieta não significa hipertrofiá-la.


Autor: Carlos A. M. Gottschall, Cardiologita
Fonte: Jornal Corpo e Mente - Disponível em: www.jornalmentecorpo.com

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