Evento reuniu o cientista político Fernando Schüler, o advogado e gestor Wagner Lenhart e o secretário de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal
As especificidades das Parcerias Público-Privadas (PPPs) no âmbito da educação como formas de ampliação da infraestrutura das redes de ensino nortearam a última edição do Fecomércio-RS Debate 2025, realizado nesta quinta-feira, 02 de outubro. O painel, realizado na sede do Sistema, em Porto Alegre, teve como tema "O que aprendemos? Modelos de PPPs e Inovação na Educação" e contou com o cientista político Fernando Schüler, o advogado e gestor Wagner Lenhart e o secretário de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal.
"A educação muda trajetórias e transforma a sociedade. O caminho do desenvolvimento passa necessariamente por ela, e só assim poderemos elevar de forma significativa a nossa produtividade. Nossos resultados ainda são muito baixos por falta de eficiência. Nesse sentido, este evento ganha relevância, pois debater as PPPs representa um caminho promissor na educação", destacou Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes no evento, incluindo a subsecretaria de Parceria do Estado, Anna Clara Yaginuma, os deputados estaduais Felipe Camozzato e Patrícia Alba, além de autoridades, especialistas e gestores interessados no tema.
Com ampla experiência em políticas públicas e gestão governamental, Schüler, que já atuou como secretário de Estado da Justiça e do Desenvolvimento Social do RS, destacou que o Brasil avançou em PPPs, com legislação sólida e exemplos de sucesso em infraestrutura, saúde e cultura. Ele apontou que a educação pública demorou a adotar esse modelo, o que contribuiu para desigualdades, mas ressaltou que experiências positivas mostram que é possível combinar a atuação estratégica do Estado com execução profissionalizada por instituições especializadas. "O gestor público que trabalha com educação precisa ter cabeça aberta, entender diferentes modelos e incorporar práticas que realmente façam os alunos aprenderem", afirmou.
Relator do texto da Reforma Administrativa, o advogado Wagner Lenhart, que tem trajetória marcada por atuação no mercado privado, administração pública e terceiro setor, salientou que o modelo de serviço público no Brasil, especialmente na educação, é disfuncional e não consegue entregar serviços com a qualidade necessária. Segundo ele, embora haja profissionais qualificados, o sistema de incentivos é ineficiente, resultando em desempenho insatisfatório. Lenhart também ressaltou que, desde 1988, houve avanço na universalização do acesso à educação, mas a qualidade se mantém estagnada. Como alternativas, ele sugeriu a colaboração do setor privado na execução de serviços, citando concessões de aeroportos e o modelo das Charter Schools nos Estados Unidos. "Está mais do que na hora de fazermos esse debate de maneira séria e madura no Brasil. Tenho certeza de que, quando conseguirmos, alcançaremos resultados muito mais transformadores", destacou.
Complementando o debate, o secretário Leonardo Pascoal compartilhou a experiência da gestão educacional em Porto Alegre e enfatizou a importância de formar um capital humano de alta qualidade, algo que só pode ser alcançado por meio da educação. Ele destacou que as parcerias são uma alternativa eficiente para melhorar o rendimento dos alunos. "Mais do que a defesa de um certo modelo, temos que defender o resultado. O importante é que as crianças possam estar aprendendo e se desenvolvendo", finalizou o economista e ex-prefeito de Esteio.
O Fecomércio-RS Debate periodicamente recebe personalidades para debater temas relevantes do cenário político e econômico. Informações sobre as edições de 2026 serão divulgadas pelo site www.fecomercio-rs.org.br/debate.