O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade é celebrado no dia 11 de outubro. A data traz a importância da conscientização sobre uma doença cada vez mais presente na rotina da população, considerada inclusive epidemia pelo Ministério da Saúde. E o crescimento dos casos no Rio Grande do Sul e no Brasil preocupa a Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia (SGG).
De acordo com projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), esse problema poderá atingir até 30% da população adulta brasileira até 2035. Entre os mais jovens, uma em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos no Brasil tem sobrepeso ou obesidade, de acordo com um levantamento nacional com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Já no Rio Grande do Sul, segundo o ImpulsoGov, cerca de 40% das crianças já estão em situação de sobrepeso.
"Conceitualmente, é relevante sabermos que a obesidade está mais relacionada à qualidade do que se come do que à quantidade de alimentos ingeridos. Além disso, outros fatores, como a falta de atividade física, também desempenham um papel central no desenvolvimento da doença", afirma o presidente da Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia, Dr. Guilherme Sander.
Novas regras do Conselho Federal de Medicina asseguram tratamentos eficazes no combate à obesidade
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em maio, novas normas para a cirurgia bariátrica. A intervenção é usada como tratamento da obesidade e de doenças relacionadas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291 mil cirurgias.
Dentre as novidades apresentadas pelo CFM, foi divulgada uma técnica menos invasiva que a cirurgia: a endossutura gástrica. "Ela é ideal para aqueles pacientes que estão com medo, com receio de fazer a cirurgia bariátrica ou que não têm uma indicação formal para um procedimento agressivo. Temos a opção endoscópica, em que o paciente perderá, em média, de 17% a 20% do seu peso, com uma técnica bem menos agressiva", informa Sander.
Atualmente, indivíduos com IMC entre 30 e 35 podem ser elegíveis para a cirurgia bariátrica. Anteriormente, o procedimento era restrito a IMCs mais elevados, salvo exceções específicas. É importante lembrar que o IMC é calculado dividindo-se o peso em quilos pela altura ao quadrado. Um IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso, enquanto acima de 30 é classificado como obesidade grau I.
Outro procedimento liberado é a gastroplastia endoscópica, que passou a ser um dos principais métodos de tratamento da obesidade no Brasil. Com resolução nº 2.429/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em maio deste ano, a inclusão da técnica representou um marco na medicina bariátrica brasileira. Utilizando um dispositivo acoplado ao endoscópio para a realização de uma sutura, o procedimento tem uma eficácia comprovada em redução de peso, além de melhor do controle glicêmico, melhora da hipertensão e do colesterol. Em comparação das cirurgias bariátricas tradicionais apresenta menor risco, menor tempo de recuperação, sem necessidade de internação e não altera a absorção de ferro e vitaminas.
O procedimento utiliza tecnologia de ponta que permite a redução do volume gástrico através de sutura interna, feita exclusivamente por via endoscópica. De forma segura, a gastroplastia emprega o OverStitch®, dispositivo que possibilita a realização de suturas precisas no interior do estômago sem necessidade de incisões externas, utilizando apenas a via natural oral.
"Essa técnica representa um divisor de águas no arsenal terapêutico contra a obesidade, pois assegura a perda na faixa de 20% do peso total sem cortes, em um procedimento ambulatorial, permitindo o retorno do paciente à vida normal e ao trabalho em três dias. Além disso, a gastroplastia é preferível em jovens por ser mais segura e não alterar a absorção de vitaminas e medicamentos, como ocorre em outras técnicas cirúrgicas", explica o Dr Guilherme Sander, presidente da Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia (SGG).
Sobre o Dr. Guilherme Sander
Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1997, o Dr. Guilherme Sander fez residências médicas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e, em 2002, foi aprovado como especialista em gastroenterologia. Com mais de 100 trabalhos publicados e mais de 1 mil citações em artigos científicos internacionais, Sander é hoje um dos 42 médicos do Brasil que podem realizar a cirurgia de Gastroplastia Endoscópica. Atualmente, ainda é sócio titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia e gestor da Unidade de Saúde Digestiva do Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, além de médico executivo da Comissão de Medicamentos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde 2004.