Depois de dois anos de forte retomada pós-pandemia, o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial apontou que 2025 foi um ano de estabilização para o setor produtivo.
O levantamento da GS1 Brasil mostrou que as indústrias adotaram uma postura mais cautelosa nos lançamentos de novos produtos, priorizando portfólios mais enxutos e sustentáveis.
Para 2026, a tendência é de manutenção dessa prudência, em meio a um cenário econômico e político de cautela.
Um termômetro do ciclo de vida dos produtos

Marina Pereira da GS1 Brasil. Crédito: divulgação
Durante coletiva à imprensa, Marina Pereira, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da GS1 Brasil, explicou que o índice representa o início do ciclo de vida dos produtos, medindo a intenção da indústria de lançar novas mercadorias no mercado.
“O Índice GS1 Brasil está ligado à criação do GTIN, o número que dá identidade a cada produto. Esse movimento mostra a confiança do empresário em inovar e investir”, destacou Pereira. Com base no registro de códigos de identificação, o indicador reflete o comportamento de mais de 40 setores da economia.
Atualmente, a GS1 Brasil reúne mais de 60 mil empresas associadas, responsáveis por 36% do PIB nacional e 12% dos empregos formais do país.
Desempenho ao longo de 2025: forte início e moderação no fim do ano
Box – Desempenho trimestral consolidado do Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial (2025)
| Trimestre |
Média do Índice (pontos) |
Tendência predominante |
Análise resumida |
| 1º trimestre (jan–mar) |
106,62 |
Forte dinamismo e confiança |
Melhor início da série histórica, impulsionado pelo otimismo pós-pandemia e retomada das inovações. |
| 2º trimestre (abr–jun) |
98,37 |
Ajustes e retomada moderada |
Indústria adota postura mais prudente, reduzindo o ritmo após início aquecido do ano. |
| 3º trimestre (jul–set) |
113,56 |
Pico de lançamentos e sazonais |
Trimestre mais intenso em novos registros; agosto atinge o maior índice da série histórica (129,33 pontos). |
| 4º trimestre (out–dez) |
94,18 |
Desaceleração e planejamento |
Fase de fechamento do ciclo industrial, com redução natural nas intenções de lançamento. |
O primeiro trimestre de 2025 foi o melhor da série histórica do índice, impulsionado pelo otimismo herdado dos anos anteriores.
Porém, o restante do ano foi marcado por postura mais prudente das empresas, que reduziram o volume de lançamentos e focaram na consolidação de produtos.
“As companhias não deixaram de inovar, mas estão mais seletivas. Elas lançam menos produtos, com maior potencial de permanência e aderência às novas demandas do consumidor”, afirmou a executiva da GS1 Brasil.
Setores e regiões: contrastes e tendências

Os números revelam um panorama diverso entre os segmentos industriais:
Box – Desempenho Setorial do Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial (2025)
| Setor |
Resumo de desempenho |
Variação anual (2025) |
| Alimentos |
Concentração de lançamentos no início do ano e retração nos meses seguintes, refletindo consolidação do portfólio. |
−16,3% |
| Bebidas |
Após forte dinamismo em 2022 e 2023, o setor desacelerou e apresentou menor renovação de produtos. |
−11,0% |
| Têxtil |
Teve o melhor começo desde 2020, mas encerrou o ano com leve recuo nas intenções de lançamentos. |
−5,2% |
| Vestuário |
Segundo semestre mais ativo, com foco em reposições estratégicas, mas ainda em ritmo menor de inovação. |
−25,2% |
| Produtos Diversos |
Segmento mais heterogêneo da indústria, abrange várias categorias e foi o único a registrar crescimento. |
+15,4% |
Norte lidera o crescimento
Desempenho Regional do Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial (2025)
| Região |
Principais destaques |
Resultado acumulado (2025) |
| Norte |
Maior intenção da série histórica |
+22,8% |
| Nordeste |
Lançamentos tímidos no ano |
−6,9% |
| Centro-Oeste |
Pico em agosto |
+3,8% |
| Sudeste |
Fevereiro apresentou melhor desempenho histórico |
+2,0% |
| Sul |
Março foi o mês mais promissor |
+3,1% |
Na visão regional, o Norte registrou o melhor desempenho (+22,8%), impulsionado por investimentos e pelo impacto da COP30.
O Nordeste teve o pior resultado (-6,9%), enquanto Centro-Oeste (+3,8%), Sudeste (+2%) e Sul (+3,1%) mostraram crescimento moderado.
Perspectivas para 2026: manutenção e prudência

Para 2026, a GS1 Brasil projeta um cenário de continuidade, com poucas mudanças no ritmo de lançamentos.
“Será um ano para consolidar o que já foi renovado. Copa do Mundo e eleições podem gerar picos pontuais, mas a tendência geral é de estabilidade”, avaliou Marina Pereira.
O novo contexto internacional, com maior abertura comercial e entrada de produtos importados, também tende a influenciar o comportamento da indústria brasileira ao longo do ano.
Evolução tecnológica: o avanço do código 2D

Conexão direta entre marca e consumidor: QR Code Padrão GS1 está presente portfólio de sopas da marca Maggi, uma das mais tradicionais da Nestlé, presente em milhões de lares brasileiros. Clique aqui para saber mais
A coletiva também abordou a transformação digital nos padrões de identificação.
A migração do código de barras linear para o QR Code Padrão GS1 (2D) está em andamento e promete revolucionar a rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.
“O QR Code 2D permite incluir informações como validade, lote, certificações e links diretos. Ele conecta marketing, logística, regulação e consumidor final em um único código”, explicou Marina.
Hoje, cerca de 5% dos associados da GS1 Brasil já testam ou adotam o novo padrão.
O avanço deve acelerar com o Cadastro Nacional de Produtos, que permite gerar o código 2D integrado ao sistema da entidade.
O que é o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial
| Item |
Descrição |
| Objetivo |
Medir a intenção da indústria em lançar novos produtos no mercado. |
| Base de cálculo |
Número de GTINs (Global Trade Item Numbers) gerados pelas empresas. |
| Abrangência |
Mais de 40 setores econômicos e 60 mil empresas associadas. |
| Periodicidade |
Publicado no primeiro dia útil de cada mês. |
| Utilidade |
Funciona como indicador antecedente da atividade industrial e da inovação empresarial. |
Reconhecido pelo mercado como indicador antecedente da atividade industrial, o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial é utilizado por economistas, analistas e jornalistas para medir o grau de confiança e inovação da indústria nacional.
“O índice mostra um novo perfil da indústria: menos volume e mais estratégia. É sinal de resiliência e de uma inovação mais responsável e sustentável”, concluiu Marina Pereira.