Maio marca o período de conscientização sobre a saúde da tireoide, uma glândula pequena no tamanho, mas fundamental para o funcionamento do organismo. Ela é responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, energia, sono, temperatura corporal e até o funcionamento cardiovascular. Ainda assim, doenças relacionadas à tireoide seguem crescendo de forma silenciosa e muitas vezes demoram a ser identificadas.
Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apontam que cerca de 15% da população brasileira pode desenvolver algum distúrbio tireoidiano ao longo da vida, sendo as mulheres as mais afetadas. Entre as condições mais comuns estão hipotireoidismo, hipertireoidismo, nódulos tireoidianos e câncer de tireoide.
Segundo a endocrinologista da Unimed Porto Alegre, Maria Cristina Mattos, apesar de estarem relacionadas à mesma glândula, essas doenças apresentam manifestações e impactos bastante distintos. "O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, tornando o metabolismo mais lento. Já no hipertireoidismo acontece o oposto: há produção excessiva hormonal, acelerando funções do organismo", explica.
Entre os principais sintomas do hipotireoidismo estão cansaço excessivo, ganho de peso, sonolência, queda de cabelo, pele seca e dificuldade de concentração. No hipertireoidismo, os sinais mais comuns incluem perda de peso acelerada, ansiedade, irritabilidade, tremores, palpitações e insônia. "Muitas vezes os sintomas são confundidos com estresse, rotina intensa ou envelhecimento, o que pode atrasar o diagnóstico", alerta a especialista.
Os nódulos tireoidianos também merecem atenção. Bastante frequentes, principalmente após os 40 anos, eles nem sempre representam risco. Segundo Maria Cristina, o aumento na solicitação de ecografias de tireoide sem indicação clínica específica tem ampliado significativamente o número de diagnósticos de pequenos nódulos, muitos deles sem relevância clínica. "Isso pode gerar ansiedade desnecessária nos pacientes e, em alguns casos, até encaminhamentos inadequados para procedimentos cirúrgicos. A maioria dos nódulos é benigna e deve ser avaliada inicialmente por um endocrinologista, que fará o acompanhamento e definirá a necessidade, ou não, de investigação complementar", destaca.
Já o câncer de tireoide, embora apresente alta taxa de cura quando diagnosticado precocemente, vem registrando aumento global nos últimos anos, especialmente entre mulheres. Os sinais de alerta incluem crescimento de nódulo no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e sensação de pressão na região cervical.
A endocrinologista reforça que o acompanhamento médico especializado e a realização adequada de exames são essenciais, principalmente em casos de sintomas persistentes ou histórico familiar. "Exames laboratoriais e ultrassonografia são ferramentas importantes, mas precisam estar associados à avaliação clínica correta para evitar excessos e garantir um manejo adequado", explica.
Outro ponto importante para a saúde da tireoide é a ingestão adequada de iodo, nutriente essencial para o funcionamento da glândula. A iodação do sal de cozinha no Brasil contribuiu historicamente para a redução de casos de bócio e outras disfunções tireoidianas. Por isso, a médica alerta para a importância do consumo equilibrado de sal iodado tradicional, evitando substituições indiscriminadas por sais sem iodo, como alguns tipos de sais gourmets e sal do Himalaia.
"O simples uso do sal de cozinha já é suficiente para repor o que precisamos no dia a dia, por isso não há necessidade de ingestão adicional, salvo casos especiais como a gestação. Mas, mesmo nesta situação, no Rio Grande do Sul a reposição adicional geralmente não é necessária por conta dos níveis suficientes de iodo no Estado.
Sobre a Unimed Porto Alegre
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