Rodadas internacionais conectam pequenos negócios do Sul a novos mercados durante a Expointer 2026
Iniciativa reuniu empresas de três Estados, compradores de oito países e ampliou oportunidades de inserção internacional
As exigências de diferentes mercados, os padrões buscados pelos compradores e as condições necessárias para uma operação de exportação estiveram entre os temas das Rodadas de Negócios Internacionais do Projeto Comprador Expointer, realizadas na Casa do Senar, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A iniciativa reuniu 48 vendedores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e 13 compradores de oito países, com foco em alimentos e bebidas diferenciados e de maior valor agregado.
A ação aproximou pequenos negócios da região Sul de compradores internacionais e permitiu aos empreendedores conhecer, diretamente com potenciais parceiros comerciais, as características e exigências de diferentes mercados. Entre os segmentos representados estiveram azeites extravirgens, vinhos e espumantes, cachaças, méis especiais, produtos orgânicos, noz-pecã e derivados de frutas. A iniciativa contou com a participação do Sebrae, da CNA e da ApexBrasil, por meio do AgroBR, programa de promoção de produtos e empresas brasileiras no mercado internacional.
Para o gerente de Competitividade Setorial do Sebrae RS, Augusto Martinenco, a aproximação com compradores de outros países permite que os empreendedores obtenham informações que podem orientar decisões antes mesmo da concretização de uma exportação. A partir das conversas, as empresas conseguem identificar adequações necessárias em produtos, embalagens, processos e outros aspectos da operação.
"Quando a gente realiza as rodadas de negócio internacional, existem dois grandes objetivos. O primeiro é concretizar o negócio, apresentar o produto e negociar com esse comprador. Mas o segundo também é importante: entender os pré-requisitos que aquele mercado e aquele comprador têm. Não é raro que, a partir das rodadas, as empresas alterem seu produto com base nas especificações ou características que o comprador está buscando", explica.
A programação contou ainda com visitas técnicas a propriedades rurais, agroindústrias e empresas da Região Metropolitana e da Serra Gaúcha. A experiência permitiu aos estrangeiros conhecer os processos produtivos e observar características dos empreendimentos que não aparecem apenas na apresentação comercial dos produtos.
Na avaliação de Martinenco, a origem e a identidade da produção também podem contribuir para diferenciar os produtos brasileiros diante de consumidores internacionais. "O principal elemento é a qualidade do nosso produto, mas é também a conexão e a história que nós geramos do nosso território através desses produtos. Cada vez mais o consumidor não quer só consumir o queijo, o mel, a carne. Ele quer consumir a história que esses produtos têm, de onde vieram e quem os produziu", destaca.
Para avançar no comércio exterior, no entanto, os negócios precisam estar preparados para atender a requisitos que variam conforme o destino. Entre os desafios estão a regularidade do fornecimento, as exigências sanitárias, os registros e as certificações, além da logística, especialmente para produtos perecíveis. Aspectos culturais e hábitos de consumo também precisam ser considerados na definição da oferta. "Quando a gente olha mercados internacionais, precisa conhecer, entender e entregar aquilo que vai fazer sentido para esse consumo de fora", afirma.
Os compradores que participaram da iniciativa vieram de oito países. As reuniões foram agendadas previamente de acordo com a compatibilidade entre os produtos das empresas e os interesses dos importadores.
Segundo o analista de mercado do Sebrae Nacional, Gustavo Reis Melo, a preparação dos negócios e a conexão com compradores fazem parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da presença brasileira no mercado internacional. Nesse processo, a atuação conjunta do Sebrae, da CNA e da ApexBrasil busca combinar qualificação e melhoria da gestão com conhecimento do agronegócio e promoção comercial.
"O papel do Sebrae na parceria com a CNA e no AgroBR é juntar a competência na qualificação, melhoria da gestão e dos processos internos com a competência da CNA no agronegócio, aumentando a competitividade dos produtores rurais e das empresas rurais em seus respectivos segmentos e territórios", pontua.
De acordo com Melo, a promoção internacional também considera atributos que podem diferenciar os produtos brasileiros, como indicações geográficas, produtos da bioeconomia e características dos diferentes biomas. A sustentabilidade aparece como um componente adicional de valor para a oferta nacional.
A estratégia de internacionalização considera ainda os acordos comerciais firmados pelo Brasil. "A intenção é aproveitar as condições estabelecidas nesses tratados para ampliar as possibilidades de negócios para pequenos empreendimentos, inclusive a partir da redução ou eliminação de tarifas para determinados produtos", complementa o analista.
A iniciativa deu continuidade aos resultados registrados na Expointer 2025, quando 30 empresas participaram de 156 reuniões com 12 compradores internacionais. Na ocasião, foi estimada a geração de US$ 3,65 milhões em negócios.
"A realização das rodadas integra a estratégia de aproximação dos pequenos negócios com o mercado internacional e contou com a articulação das instituições envolvidas nas ações do AgroBR. Na Expointer, a programação também esteve inserida nas iniciativas voltadas à valorização e ao fortalecimento do agronegócio", finaliza Melo.