O que significa ser médico em 2026?
Artigo de Opinião: presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr.
Nunca houve tanta tecnologia disponível para a Medicina. E talvez nunca tenha sido tão necessário lembrar o que nenhuma máquina é capaz de substituir. Em meio à inteligência artificial, à robótica, a novos métodos diagnósticos e à crescente pressão assistencial, exercer a profissão em 2026 exige preparo para avançar sem perder o que sustenta a prática médica: ética, conhecimento, responsabilidade e presença humana.
Essas ferramentas ampliam possibilidades e ajudam na tomada de decisão, mas não ocupam o lugar da escuta, do julgamento clínico e do vínculo com o paciente. A Medicina evolui e o médico precisa evoluir com ela.
Isso torna a atualização permanente ainda mais necessária. O conhecimento se renova em ritmo acelerado, exigindo disposição para estudar, rever condutas e incorporar evidências à prática. Ser médico hoje é compreender que a formação não termina com o diploma.
Por isso, a qualidade do ensino médico precisa estar no centro desse debate. O crescimento do número de cursos de Medicina no Brasil amplia o acesso, mas também impõe uma responsabilidade maior. Não basta abrir vagas. É indispensável garantir estrutura adequada, professores qualificados, campos de prática e experiências capazes de preparar o futuro profissional para cuidar de pessoas com segurança.
Avaliação consistente, Residência Médica de qualidade e educação continuada fazem parte desse caminho. É nesse contexto que iniciativas como a Prova AMB/AMRIGS, com 55 anos de história, ganham relevância, ao aferir conhecimentos, apoiar processos seletivos e estimular uma cultura de qualificação. Mais do que uma preocupação da categoria, a boa formação é uma questão de segurança para toda a sociedade.
A Medicina é, antes de tudo, uma paixão. Uma profissão que seguirá mudando, incorporando novas tecnologias, aperfeiçoando tratamentos e impondo novos desafios, mas que continuará fascinante justamente pela possibilidade de fazer diferença na vida das pessoas. Cada geração terá a responsabilidade de acompanhar essa evolução sem perder os valores que sustentam a prática médica. E espero que todos aqueles que assumirem esse compromisso estejam preparados para exercer a Medicina com dedicação, ética, sensibilidade e, principalmente, com a mesma vocação que nos trouxe até aqui.