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Saúde Geral

Reclamar demais afeta a saúde mental de quem fala e de quem ouve, alerta psicóloga

Segundo especialista, esse padrão está relacionado ao chamado viés de negatividade

24/06/2025 Redação Fonte: Martha Becker Connections Compartilhar:
Reclamar demais afeta a saúde mental de quem fala e de quem ouve, alerta psicóloga
Foto: Divulgação

Reclamar do trânsito, do calor ou das dificuldades no trabalho pode parecer inofensivo ou até aliviar momentaneamente o estresse. Mas, quando se torna um hábito constante, o efeito vai além do desabafo: compromete o bem-estar emocional de quem reclama e também de quem escuta.

A psicóloga Verônica Lima, da Hapvida, explica que a reclamação crônica alimenta um ciclo de negatividade que pode resultar em ansiedade, fadiga mental e até esgotamento emocional. “Reclamar pontualmente pode ser um mecanismo de enfrentamento. Mas, quando vira rotina, reforça uma visão pessimista da vida, impactando todos os envolvidos”, afirma.

Segundo a especialista, esse padrão está relacionado ao chamado viés de negatividade, uma característica evolutiva que prioriza ameaças como forma de sobrevivência. “O cérebro foi moldado para detectar perigos. Por isso é tão fácil focar no negativo e tão difícil manter uma perspectiva positiva”, explica.

O problema, segundo Verônica, é que a reclamação constante tem consequências reais: prejudica a tomada de decisões, reduz a capacidade de resolver problemas e impacta diretamente a autoestima. Além disso, quem está sempre ouvindo queixas também sofre com cansaço mental, irritabilidade e prejuízos nas relações e na qualidade de vida.

Outro alerta importante é o impacto fisiológico desse hábito. O excesso de reclamações eleva os níveis de cortisol, o chamado “hormônio do estresse”, que, em grandes quantidades, pode causar insônia, pressão alta, queda da imunidade e até distúrbios metabólicos.

Para interromper esse ciclo, a psicóloga sugere algumas práticas: cultivar a gratidão, focando no que já se tem e valorizando as pequenas conquistas do dia a dia; buscar soluções, em vez de apenas se fixar nos problemas; revisar a linguagem, evitando expressões que reforcem o negativismo. E, quando necessário, estabelecer limites com pessoas que reclamam excessivamente, como forma de proteção emocional.

Verônica Lima lembra que ninguém está imune a reclamações ocasionais, mas reforça que cultivar hábitos mais saudáveis de diálogo e pensamento é essencial para preservar não apenas a própria saúde mental, mas também a das pessoas ao redor. 

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