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Taxa de mortalidade por hepatites virais no RS é mais do que o dobro da média nacional

No Julho Amarelo, especialista do Hospital Moinhos de Vento reforça a vacinação como aliada na prevenção das hepatites virais

16/07/2026 Redação Fonte: Moinhos Critério Compartilhar:
Taxa de mortalidade por hepatites virais no RS é mais do que o dobro da média nacional
Foto: Freepik

Sem causar dor ou sinais evidentes, as hepatites virais podem permanecer por anos comprometendo o fígado até serem descobertas, já em estágios avançados. Esse comportamento silencioso faz com que muitas pessoas convivam com a infecção sem saber. No Rio Grande do Sul, a taxa de mortalidade combinada por hepatites B e C foi de 1,3 por 100 mil habitantes no ano passado, mais que o dobro da média nacional, que foi de 0,5 por 100 mil habitantes. Dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretaria de Saúde que evidenciam o desafio para a saúde pública que a doença representa. No Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre o tema, o Hospital Moinhos de Vento reforça que a vacinação, a testagem e o diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir novos casos e evitar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

De acordo com o Chefe do Serviço de Gastroenterologia e Cirurgia Digestiva do Hospital Moinhos de Vento, Fernando Wolff, o maior desafio das hepatites virais é, justamente, o fato de elas se desenvolverem em sua apresentação crônica de forma assintomática. "Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o fígado já sofreu um comprometimento importante. Por isso, investir em prevenção, manter a vacinação em dia e realizar os testes quando indicados são atitudes fundamentais para proteger a saúde", afirma.

O especialista alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, bem como sobre a necessidade de investigar a doença mesmo na ausência de sintomas. Pessoas que realizaram transfusões de sangue antes da implementação dos testes obrigatórios, compartilharam objetos perfurocortantes, têm múltiplos parceiros sexuais ou nunca fizeram a testagem devem conversar com um profissional de saúde sobre a realização dos exames.

"Hoje temos ferramentas capazes de transformar esse cenário: vacinas, testes rápidos e tratamentos altamente eficazes. Quanto mais cedo a infecção é identificada, maiores são as chances de evitar sequelas e preservar a qualidade de vida do paciente. A informação continua sendo uma das principais aliadas no combate às hepatites virais", conclui Wolff.

Além do impacto no Brasil, as hepatites virais representam um problema global. Segundo a OMS, cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica no mundo e, aproximadamente, 1,3 milhão de mortes são registradas todos os anos em decorrência dessas infecções. Para reverter esse cenário, o especialista reforça: "alcançar a meta de eliminação da doença até 2030 dependerá, sobretudo, da conscientização da população e da ampliação das ações de prevenção.

Entenda melhor

Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde (dados acumulados de 2000 a 2024), os casos confirmados no país estão distribuídos entre cinco tipos da doença:

  • Hepatite C (41,5% dos casos): transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, pode permanecer assintomática por muitos anos. Atualmente, tem altas taxas de cura com medicamentos de ação direta;
  • Hepatite B (36,6%): transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Pode ser prevenida por vacina, disponível gratuitamente no SUS;
  • Hepatite A (21,2%): geralmente associada ao consumo de água e alimentos contaminados e à falta de saneamento básico. É a hepatite que mais frequentemente se apresenta na forma aguda, com icterícia (amarelão) e mal estar geral. Não evolui para a forma crônica. Porém, alguns casos evoluem de forma fulminante, com insuficiência hepática e necessidade de transplante de fígado. Também pode ser prevenida por vacinação.
  • Hepatite D (menos de 1%): considerada rara no Brasil, ocorre apenas em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B, sendo mais frequente na Região Norte do país;
  • Hepatite E (menos de 1%): pouco comum no Brasil, é transmitida principalmente por água contaminada e costuma estar relacionada a surtos em locais com condições precárias de saneamento.

"O Brasil reúne todas as condições para reduzir de forma significativa o impacto das hepatites virais. Além da vacina, temos exames e tratamentos disponíveis. O desafio agora é ampliar a conscientização para que mais pessoas procurem os serviços de saúde antes que a doença se manifeste", destaca o gastroenterologista do Hospital Moinhos de Vento.

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