Não deixe para amanhã o abraço de hoje
Em memória de Alexandre Appel, jornalista, amigo e conselheiro
Conheci o jornalista e comunicador Alexandre Appel há mais de 20 anos, em razão dos artigos que escrevia, esporadicamente, para o seu conceituado Jornal O Consumidor RS. Com o tempo, passei a ser colunista daquele respeitável periódico.
Mesmo à distância, passamos a conversar com certa frequência. Falávamos sobre política, direito e relações de consumo — matéria que Alexandre dominava com maestria, com a propriedade de quem foi diretor do Procon do Rio Grande do Sul.
Alexandre, uma referência no jornalismo como editor e empresário, pautou sua conduta pela independência e pela liberdade dos colunistas. Mesmo quando, sabidamente, não concordava com o tema ou com a conclusão de um texto, jamais censurou qualquer opinião. Agia conforme as diretrizes que devem nortear todo veículo que se diz democrático: respeitava a liberdade de expressão, de pensamento e de manifestação.
Com o passar dos anos, alimentados por uma admiração recíproca, fomos além das conversas jurídicas e políticas. A afinidade aumentou e passamos a trocar ideias sobre a família, suas filhas, sua amada companheira e os cães, que pareciam membros do lar. Durante esses anos de convivência, passei por uma cirurgia cardíaca e por um divórcio. Tive sempre em Alexandre um amigo e um grande conselheiro, que me deu o apoio necessário e me incentivou, como diz o ditado popular, a "não deixar a peteca cair".
Por termos nos tornado verdadeiros amigos, embora separados por quilômetros, conversávamos semanalmente por telefone, WhatsApp e chamadas de vídeo. Esse contato permitiu o estreitamento de laços calorosos, de profunda estima e afeto.
Nessas conversas, muitas vezes tarde da noite, programávamos um encontro para um abraço pessoal, incluindo nossas famílias. Caso ocorresse no Rio Grande do Sul, teríamos direito a chimarrão e a um bom churrasco; se fosse em Minas Gerais, à tradicional comida mineira, regada a uma boa e velha cachaça.
Divertíamo-nos como duas crianças ao planejar esse momento que, infelizmente, nunca ocorreu. O trabalho e os compromissos do dia a dia sempre adiavam a almejada materialização de um sonho compartilhado à distância por anos.
No sábado, liguei para mais uma conversa fiada entre amigos. Causou-me estranheza o fato de Alexandre não ter atendido nem retornado, o que não era de seu feitio. No domingo, mandei uma mensagem informando que havia encaminhado um artigo por e-mail, como de costume. Novamente, não obtive resposta.
Na segunda-feira, ao abrir o WhatsApp, percebi que, no domingo à noite, às 23h48, Dona Marli, sua amada companheira, havia enviado uma mensagem informando que meu amigo havia falecido.
Confesso que perdi o chão. Uma tristeza profunda recaiu sobre mim; o coração apertou e as lágrimas escorreram pelo rosto.
Nesta hora, ainda sem acreditar na despedida à distância e profundamente enlutado — momento em que Alexandre Appel muda de casa, deixando a moradia terrena para residir no lar celestial, junto ao nosso Pai Altíssimo —, venho prestar minha solidariedade a Dona Marli, às suas filhas e a todos os seus parentes e amigos.
Alexandre Appel, nossa amizade venceu a distância física e hoje se eterniza. Sinta o abraço do meu coração em sua morada celeste.
Fica a lição: não deixe para amanhã o abraço de hoje.
Tenho dito!!!