NEWS
Vozes do Advocacy e ADJ Birigui promovem capacitação em diabetes Banrisul alcança lucro líquido de R$ 221,6 milhões no 1º trimestre de 2026 Edição 2026 do Top Ser Humano e Top Cidadania tem recorde de cases inscritos Unimed Porto Alegre reforça importância da vacinação contra gripe Recall é mais rápido e preciso com o padrão GS1 de identificação e rastreabilidade Sebrae RS fortalece presença do vinho gaúcho na Wine South America 2026 De marca artesanal à presença internacional: de la Guardia avança com apoio do Sebrae RS Feevale promove aula gratuita sobre técnica de massagem para bebês Sebrae RS leva inovação com foco humano ao Gramado Summit 2026 CEEE Equatorial realiza blitz de economia e segurança em Porto Alegre com o programa E+ Comunidade
Artigos

Estudo comparativo

Saúde Bucal no Brasil x RS

31/10/2008 Guilherme Wendt - Equipe Sis.Saúde Fonte: Vide bibliografia Compartilhar:
Estudo comparativo
No ano de 1986, o Ministério da Saúde realizou um grande estudo na área de Saúde Bucal, analisando a presença de cárie dental, doença periodontal, e avaliou a necessidade de próteses na população brasileira. Decorridos 10 anos, e por intermédio de uma parceria entre a área Técnica de Saúde Bucal/Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Odontologia e Secretarias Estaduais de Saúde, foi realizado o II Levantamento Epidemiológico Nacional na área, priorizando, em um primeiro momento, o levantamento de cáries dentais.
 
Salientamos que iniciativas neste setor são de suma importância, pois permitem um melhor desfecho das ações, sejam estas de caráter preventivo ou intervencionista, considerando o atendimento prioritário de populações “vulneráveis”. Em período contemporâneo ao estudo que iremos descrever, ocorreram mudanças no setor, em nível federal, com o aumento da oferta de tratamentos preventivos, educativos e intervencionistas em saúde bucal (ANTUNES et. al., 2008).
 
Neste estudo, foram examinadas 30.240 crianças, sendo que foram compostos grupos de acordo com a faixa etária (6 a 12 anos), com 4.320 participantes por grupo etário. Na região Nordeste foi possível verificar um número mais expressivo de participantes, e o gráfico abaixo ilustra a proporção por regiões:
 
 
Gráfico 1: Proporção de crianças examinadas
 
 
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
A distribuição por estados se deu da seguinte maneira: cada unidade da federação enviou, para o Ministério da Saúde, o protocolo de 1.120 crianças. Desta forma, regiões mais populosas apresentaram maior quantidade de participantes. A Região Sul, por ser a menor em número de estados, representou 11% do total de crianças examinadas.
 
 
Gráfico 2: Sexo das crianças examinadas
 
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
Quanto às características e condições em saúde bucal, os dados estão abaixo expressos, com ênfase nos achados que dizem respeito ao Rio Grande do Sul.
 
PERCENTUAL DE DENTES CARIADOS
 
A unidade da federação que apresentou o maior índice de dentes cariados foi Amapá (82,47%), e a menor foi Alagoas (29,46%). O gráfico abaixo ilustra a média Brasil em comparação com os dados do RS, e o gráfico subseqüente analisa esta variável em relação às regiões.
 
 
Gráfico 3: Dentes Cariados na Média Brasil x RS
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
O RS figura na 12ª colocação neste item dentre os demais estados, estando levemente acima da média encontrada no Brasil, sendo o estado da região sul com índices mais elevados. Em termos de regiões, percebem-se escores significativamente superiores na região norte (72,11%) e escores inferiores na região centro-oeste (46,04%).
 
 
Gráfico 4: Dentes Cariados segundo a Região
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
PERCENTUAL DE DENTES RESTAURADOS 
 
Outro aspecto avaliado neste II Levantamento diz respeito ao percentual de dentes restaurados que a população brasileira apresenta. Neste item, o estado do Paraná apresentou o maior percentual, com 61,54% de dentes restaurados. O Estado com o menor percentual, por sua vez, foi Amapá (8,22), o mesmo que apresentou a maior incidência de cáries.
 
 
Gráfico 5: Dentes restaurados na Média Brasil x RS
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
Percebe-se pouca diferença no RS quanto à média brasileira. O RS é o 15° colocado em termos de Brasil nesta categoria, sendo que, em relação às regiões, está abaixo da média da região Sul, conforme ilustra o gráfico abaixo.
 
 
Gráfico 6: Dentes restaurados segundo a Região
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
O RS apresentou uma diferença na casa dos 10%, para menos, em relação à média encontrada na Região do Sul. A região Norte apresentou os índices menores (17,98), e a região Sudeste, os maiores (49,28).
 
PERCENTUAL DE DENTES EXTRAÍDOS
 
Outra dimensão analisada pelo levantamento indica que o RS é o 22° estado com o maior percentual de extração de dentes. Enquanto a média nacional ficou, neste estudo, na casa dos 2,76%, o RS apresentou um percentil de 1,12, ou seja, menos da metade do que foi possível encontrar na média nacional. Confira no gráfico.
 
 
Gráfico 7: Dentes extraídos na Média Brasil x RS
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
Podemos acrescentar ainda outros dados, para fins ilustrativos, como nos casos de Amazonas e Pernambuco, que apresentaram resultados na casa de 6,4 e 5,5%, respectivamente. Paraná e Goiás (0,55 e 0,56%, respectivamente) são os estados com os menores percentuais nesta variável estudada.
 
 
Gráfico 8: Dentes extraídos segundo a Região
 
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
Índices elevados foram verificados nas regiões Norte (3,44) e Nordeste (3,37) do país nesta dimensão analisada. A região Sul (0,99) apresentou os menores escores, seguido da região Sudeste (1,14).
 
PERCENTUAL DE DENTES COM EXTRAÇÃO INDICADA
 
Neste estudo, foi verificada ainda a indicação de extração dentária permanente, de acordo com a avaliação do pesquisador/profissional odontólogo. Dados RS x Brasil se encontram ilustrados no gráfico abaixo:
 
 
Gráfico 9: Dentes com extração indicada RS x Brasil
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
De acordo com o gráfico baseado no último levantamento realizado no setor, o RS apresentou indicações superiores de extração dentária em relação à média nacional. Paraná é o estado com menor indicação (1,57%), seguido de Espírito Santo (1,84%) e Rio de Janeiro (2,04%). Por outro lado, estados como Rondônia (9,93%) e Amazonas (9,19%) apresentaram percentis na casa de 10%.
 
 
Gráfico 10: Percentil de extração indicada segundo a Região
 
Fonte: Ministério da Saúde/Levantamento Nacional em Saúde Bucal
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
A estreita relação entre saúde bucal e saúde geral, bem como saúde bucal e qualidade de vida (MOYSÉS, 2008) motivaram esta análise dos dados do levantamento realizado pelo Ministério da Saúde. Além de oferecer um panorama geral, tal estudo propicia a discussão de temas correlatos a estes maus índices apresentados no país, como desigualdade na atenção à saúde bucal e geral, ou ao precário planejamento de ações e investimentos.
 
Neste sentido, é de relevância e desejável que novos estudos se agreguem aos já existentes, numa tentativa de reconhecer a importância da dimensão saúde bucal na qualidade de vida das pessoas. Do mesmo modo, estudos sérios e bem delineados podem servir de fomento para ações nas esferas municipais, estaduais e federais. Conforme aponta Fernandes e Peres (2005), políticas em saúde bucal devem ser dirigidas, prioritariamente, a regiões e municípios com piores condições socioeconômicas.
           
REFERÊNCIAS
 
ANTUNES, J. L. F. et al. Saúde gengival de adolescentes e a utilização de serviços odontológicos, Estado de São Paulo. Rev. Saúde Pública, Abr 2008, vol. 42, nº 2, p.191-199.
 
FERNANDES, L.S. e PERES, M. A. Association between primary dental care and municipal socioeconomic indicators. Rev. Saúde Pública, vol. 39, no. 6, 2005, p. 930-936.
 
MOYSÉS, S. J. O contexto atual para a pesquisa em Saúde Bucal Coletiva. Cad. Saúde Pública, Abr 2008, vol.24, no.4, p.718-718.
 
Edição e Revisão: Renata Appel
Veja Também