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Como estimular o companheirismo e o respeito entre irmãos

Artigo do Professor Robinson de Vargas

05/10/2019 Lola Dias Fonte: PG1 Compartilhar:
Como estimular o companheirismo e o respeito entre irmãos
Foto: Divulgação

A relação entre irmãos é um dos mais especiais dentro do universo das relações afetivas. Os irmãos têm uma importância fundamental no desenvolvimento da personalidade, na formação de vínculos duradouros e no aprendizado mútuo, habilidades que irão repercutir na vida futura. Além do laço sanguíneo, é possível observar uma forte ligação afetiva, estabelecida pela convivência e compartilhamento de experiências do cotidiano.

Os benefícios gerados pelo vínculo entre irmãos são diferentes em cada fase da vida. Na primeira infância, por exemplo, a ligação fraterna desenvolve diversas habilidades emocionais, além de encarar processos mais desafiadores, como o fato de precisarem lidar com as diferenças individuais. Aprender a respeitar o outro, com as suas próprias características, é um bom exercício de empatia, uma habilidade socioemocional essencial a ser praticada nos dias atuais.

Nos momentos em que as discrepâncias de idade entre irmãos e as diferenças individuais vierem à tona, causando possíveis conflitos, é essencial que os pais estejam presentes. O papel da família é o de atuar como mediadora, ensinando as crianças a lidarem da melhor forma com sentimentos e emoções que, dependendo da idade, os pequenos ainda estão aprendendo a superar. Esses sentimentos podem incluir ciúme, inveja, raiva, entre outros sentimentos.

É importante que na mediação com os filhos, os pais evitem tomar partido de um dos seus filhos, para não ampliar uma rivalidade desnecessária. Deve-se evitar a comparação entre os irmãos, pois cada indivíduo mesmo que inserido em um ambiente comum, vai reagir de maneira única, de acordo com os seus recursos internos e habilidades. O ideal é que os filhos sintam-se ouvidos, acolhidos em suas queixas, mas que os pais estimulem e acompanhem a resolução dos conflitos. Irmãos naturalmente disputam o afeto, a atenção e o espaço na família. Este processo é fundamental no desenvolvimento da autoestima, autonomia e fornece elementos para ampliação da interação social.

Algumas atitudes são capazes de fortalecer o vínculo fraterno, como incentivar atividades em conjunto, compartilhamento de brinquedos, passeios e práticas de atividades físicas. Desta forma, eles podem se tornar companheiros. É importante lembrar que conflitos é algo esperado, o que vai fazer a diferença é a postura dos pais diante de uma circunstância como esta. É aconselhável sempre tentar estabelecer o diálogo, valorizar e reforçar as características positivas de cada irmão e da relação entre eles, e ajudá-los a refletir sobre os fatos que geraram conflitos, procurando a responsabilização que cabe a cada um dos envolvidos.

Quando os pais oferecem um bom exemplo, estimulando a escuta e a compreensão do outro, os filhos assimilam e internalizam esse comportamento. Com isso, há uma facilidade de resolução de conflitos, o que reverbera em um amadurecimento das relações como um todo.

Se os pais interveem de forma adequada com essas emoções, trazem para os filhos uma maturidade de atuação que vai refletir em um melhor preparo das crianças diante desses sentimentos. Assim, à medida que crescem, têm maior probabilidade de serem adultos emocionalmente mais saudáveis e capazes de lidar de forma mais madura com os seus sentimentos e relacionamentos.

*Robinson de Vargas é especialista em Dinâmica de Grupos e Gestão de Pessoas e coordenador do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio no Colégio Marista 

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