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Suando a camisa

Artigo de Opinião: Médico do esporte, associado da AMRIGS, Cláudio Machado da Silveira

09/01/2020 Marcelo Matusiak Fonte: PlayPress Compartilhar:
Suando a camisa
Foto: Divulgação

As altas temperaturas, o sol escaldante e o clima abafado resultam em um cenário absolutamente adverso para prática de esportes. É um adversário a mais que as equipes que disputam o Campeonato Gaúcho enfrentam. Enquanto a bola rola, os jogadores são submetidos a um calor que chegou em 2019 a registrar marcas impressionantes como a de 65° graus no gramado, em medição no estádio do São José, no Passo da Areia, em Porto Alegre. Paradas técnicas e constante hidratação são só alguns dos cuidados que se deve ter quando é exercida a prática esportiva sobre essas condições. A medida vale para os jogadores profissionais, mas também para os peladeiros de final de semana ou ainda mais com criança. É indispensável ter muito cuidado.

A exposição ao calor durante o exercício pode ocasionar problemas como irritação/queimadura da pele, e principalmente alterações relacionadas ao aumento significativo da temperatura corporal (hipertemia) e perda de líquido corporal (desidratação). Alguns fatores são determinantes para que ocorram tais eventos. São eles: exposição à luz solar direta ou indiretamente, sua intensidade e duração, umidade relativa do ar, temperatura e ventilação do ambiente. Além disso, características genéticas do indivíduo, condicionamento físico, treinamento e aclimatação (capacidade de adaptação ao estresse ambiental), também contribuem.

Quando ocorre desidratação e hipertermia, esta combinação pode afetar o sistema cardiovascular. Quando associada a sintomas neurológicos (vertigem, perda de coordenação) gera exaustão ao calor. Caso o processo perdure, o quadro clínico do atleta pode piorar (desorientação e confusão mental) e evoluir para uma intermação e em casos extremos até para o coma e a morte.

O ser humano possui um sistema de manutenção das funções orgânicas (homeostase), incluindo a temperatura corpórea que ajuda a manter uma temperatura média corporal de 36° a 39° C, através do mecanismo de termorregulação, comandada pelo sistema neuro-hormonal e cardiovascular principalmente.

Nosso corpo não é uma máquina, e por isso, para evitar complicações torna-se importante o uso de protetores, quando possível (vestimenta com proteção UV, bonés, protetor solar), hidratação com consumo de água, fundamentalmente, evitar os horários de maior intensidade solar e de calor, entre outras intervenções. Convém reforçar, ainda, a importância do planejamento para a prática esportiva. É primordial para superar as adversidades ocasionadas pelo calor contar com uma equipe profissional com formação e experiência, incluindo uma avaliação médica pré-exercício. Essas medidas vão minimizar os riscos ao atleta e possibilitar o seu melhor desempenho.

Cláudio Machado da Silveira. Médico do esporte, associado da AMRIGS, Cláudio Machado da Silveira.

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