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A pele como veículo transmissor

Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Taciana Dal’Forno Dini

26/03/2020 A autora Fonte: PlayPress Compartilhar:
A pele como veículo transmissor
Foto: Taciana Dal Forno Dini (Renan Constantini)

A pandemia declarada pela OMS em 11 de março é causada pelo COVID-19, um vírus de transmissão respiratória que inicialmente ocorreu na China e agora espalha-se pelo mundo.

Os cuidados para a prevenção da contaminação pelo vírus estão sendo orientados por todas as autoridades em saúde e compartilhados entre os cidadãos. Dentre os principais cuidados, destaca-se a adequada higiene da pele.

A pele constitui o maior órgão do corpo humano e é tanto a barreira de proteção contra a entrada de microrganismos no corpo, quanto um meio de ligação com o ambiente externo, que ocorre através dos sentidos, como tato, calor, pressão e dor.

Porque devemos aumentar a higiene da nossa pele neste momento? Porque, além da aerolização respiratória, é através da pele que as pessoas infectadas estão alastrando a doença. Por exemplo, uma pessoa infectada ao colocar as mãos na boca, nariz ou olhos, o que é muito comum durante os dias dos sintomas gripais, está contaminando a própria pele com o vírus. A pele, uma vez contaminada, levará o agente transmissor da doença para todos os objetos que esta pessoa tocar antes de lavar as mãos, como maçanetas, lençóis, toalhas, cadeiras, corrimãos, torneiras, teclados, chaves, papéis, produtos no supermercado ou farmácias, entre outros. Outras pessoas podem tocar nestes objetos contaminados e levarem as mãos aos olhos, nariz ou boca, contaminando-se inadvertidamente.

A pele também pode ser agente transmissor no caso do contato direto da região cutânea recentemente contaminada pelo vírus com outra pessoa, que pode ocorrer através dos tradicionais cumprimentos da cultura brasileira, como o aperto de mão, o abraço ou os beijos diretamente na face.

Devido ao exposto acima, uma das principais medidas para a prevenção do avanço na disseminação da doença é evitar o toque da pele entre as pessoas, como também o toque em superfícies contaminadas.

Para a eliminação do vírus, a higienização da pele, principalmente das mãos, deve ser feita através da lavagem com água e sabão ou aplicação de álcool gel 70%, seguindo os passos determinados pela Organização Mundial da Saúde (paho.org/bra). Com o aumento das lavagens das mãos e a utilização de álcool, é normal a pele ficar ressecada. Por isso, recomenda-se intensificar os uso de hidratantes, que devem ser aplicados logo após a higienização ou evaporação do álcool. Para pessoas alérgicas ou sensíveis, utilizar produtos sem cor ou fragrância. A adequada hidratação da pele mantém a barreira cutânea íntegra para a defesa contra os microrganismos e ajuda na prevenção do surgimento ou exacerbação de problemas na pele.

Segundo o Ministério da Saúde (saude.gov.br), as superfícies contaminadas podem ser limpas eficazmente com álcool 70%, água e sabão ou solução de água sanitária (1 parte diluída em 9 partes de água), pois estes produtos são capazes de destruir o envelope viral do COVID-19.

Os dermatologistas estão atentos às medidas determinadas pelas autoridades com o avanço da pandemia e muito envolvidos no compartilhamento das corretas informações à sociedade.

Dra. Taciana Dal’Forno Dini

Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional Rio Grande do Sul (SBD-RS)

Taciana Dal'Forno Dini, MD, PhD

Presidente da SBD-RS

Especialista em Dermatologia pela SBD

Coordenadora do Departamento de Laser da SBD

Preceptora da Cosmiatria da Residência de Dermatologia da PUCRS

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