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Médicos do Moinhos de Vento e de Nova York debatem formas de tratar COVID-19 em pacientes cardíacos

Profissionais que atuam no atual epicentro da doença apresentaram casos e resultados que obtiveram com diferentes tratamentos

17/04/2020 Redação Fonte: Moinhos / Critério Compartilhar:
Médicos do Moinhos de Vento e de Nova York debatem formas de tratar COVID-19 em pacientes cardíacos
Foto: Troca de experiências pode ajudar médicos brasileiros a antecipar situações já vivenciadas na cidade que é hoje o epicentro da pandemia. Divulgação

Receber todos os pacientes como potencialmente positivos para COVID-19 foi uma das rotinas adotadas em um hospital de Nova York. Para preservar equipes médicas e reduzir as infecções, a iniciativa estabelece que equipamentos de proteção individual sejam usados por todos os colaboradores, independentemente da função. Além disso, permite pensar as possibilidades de tratamento e dar uma resposta mais rápida após a confirmação.

A ação foi detalhada pelo diretor de Cardiologia Intervencionista do Centro Médico Montefiore, Mohamed Azeem Latib, durante a live webinar A Experiência de Nova York: COVID-19 e Doenças Cardiovasculares. Promovido pelo Hospital Moinhos de Vento, o evento ocorreu na tarde desta quinta-feira (16). O especialista foi acompanhado por dois colegas que atuam em Nova York – o professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, João Fontes, e o cardiologista do Montefiore, Miguel Alvarez. Foram apresentados casos clínicos de pacientes com problemas cardíacos e como foram tratados para COVID-19.

Além dos três profissionais que estão atuando em Nova York, o debate envolveu três médicos do Hospital Moinhos de Vento: o superintendente médico, Luiz Antonio Nasi, a chefe do Serviço de Cardiologia, Cirurgia Vascular e Cardíaca do Hospital Moinhos de Vento, Carisi Anne Polanczyk, e o coordenador da Unidade de Arritmia e Eletrofisiologia, Leandro Zimerman. O encontro buscou antecipar ciclos e compartilhar conhecimentos com profissionais que estão vivendo etapas mais avançadas da pandemia da COVID-19.

Para Carisi, a importância desta troca é a oportunidade de aprender e observar a evolução desses casos em tempo real, na medida em que estão acontecendo. “A gente precisa dessas experiências para trazer isso dinamicamente para a nossa realidade. Na medicina, estamos muito acostumados a ler artigos, esperar estudos, que levam meses ou anos para serem realizados e publicados. Nessa pandemia, são horas, no máximo dias de diferença entre acontecer lá e aqui”, destaca. 

A experiência de Nova York

O médico João Fontes mostrou algumas curvas que ilustram o que está acontecendo no Centro Médico Montefiore e em Nova York. Segundo ele, a doença parece ter atingido o seu pico e agora a situação começa a estabilizar. Entre as medidas que podem estar contribuindo para isso, na opinião dele, estão a ampliação da capacidade dos hospitais em 50%, a abertura de onze novas UTIs e o recrutamento de 38 equipes para tratar exclusivamente de pacientes com COVID-19. O especialista também destacou a realização de testes em massa, o uso da telemedicina e as pesquisas com diversos medicamentos diferentes.

Casos clínicos

Entre os casos clínicos apresentados estava o primeiro infectado com o Sars-CoV-2 a chegar ao hospital: um paciente com uma inflamação no coração provocada pelo novo coronavírus, mas com os resultados dos primeiros exames negativos. A confirmação saiu dias depois. O outro foi uma aparente situação de infarto que, mais tarde, acabou sendo identificada como decorrência da COVID-19.

Ao observar as situações apresentadas, Luiz Antonio Nasi chamou a atenção para o aumento, em Nova York, no número de infartos sem nenhuma obstrução das coronárias relacionadas a coágulos nas artérias, além das inflamações no coração. Ele ressaltou a importância de os hospitais brasileiros terem essa informação antecipadamente para preparar as equipes que tratam pacientes cardíacos para atuar nesses casos.

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