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Ide-vos todos para a clínica

Artigo de Meire Rose Cassini, psicóloga e gestora do Serviço de Psicologia do Hospital Felício Rocho

20/11/2021 A autora Fonte: Malu - Naves Coelho Comunicação <malu@navescoelhocomunicacao.com.br> Compartilhar:
Ide-vos todos para a clínica
Foto: Arquivo pessoal

Depressão, síndrome do pânico, ansiedade... Se você pensa com frequência nesses ou em outros transtornos de ordem mental e associa algum deles à sua rotina, saiba que não está sozinho. Muito pelo contrário! Os brasileiros lideram o ranking dos povos que mais se preocupam com a saúde mental, numa lista com 30 países. 

A pesquisa foi divulgada em outubro pelo Instituto Ipsos, empresa sediada na França que realiza estudos e inteligência de mercado em todo o mundo. Os dados mostram que 75% da nossa população pensam nisso com uma freqüência considerável. O Brasil é seguido pela África do Sul (73%), pela Colômbia (71%) e pelo Peru (68%). Na ponta de baixo, China (26%), Coreia do Sul (31%), Rússia (33%) e Alemanha (39%) são os países que apresentam menor índice de preocupação com a saúde mental. Estes estão muito aquém da média global de 53%. 

Para chegar a essa conclusão, a pesquisa entrevistou mais de 21 mil pessoas, das quais cerca de mil eram brasileiras. Mas, tivesse ouvido toda a população, provavelmente esse cenário pouco mudaria. Isso porque já existem mais dados que comprovam não apenas que o brasileiro se preocupa como também é vítima de muitos dos transtornos mentais. 

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já vem demonstrando, desde o início da pandemia do novo Coronavírus, que essas doenças vêm se intensificando na população. No ano passado, só entre os meses de agosto e novembro, houve um crescimento de 82% no número de novos casos, de acordo com a ABP. Outro dado relevante: 70% dos pacientes que já haviam recebido alta do tratamento tiveram de voltar às clínicas durante o tempo de quarentena. 

É quase que inevitável associar a realidade socioeconômica dos países com suas respectivas posições no ranking do Instituto Ipsos. E, de fato, muitos dos profissionais que lidam diretamente com pessoas que apresentam a saúde mental debilitada observam que os motivos residem na perda do emprego ou na diminuição da renda, no comprometimento do tempo dedicado ao lazer e no maior tempo dentro de casa. O brasileiro, em especial, que tem a expansividade como marca registrada, viu seus círculos sociais abreviarem-se de tal maneira que o afetaram psicologicamente. 

Não que outros povos não tenham sentido esses problemas. Mas os efeitos sociais parecem sucumbir menos aos impactos financeiros quando se tem uma segurança governamental por trás, levando a crer que os problemas são meramente passageiros. Se não há explicações óbvias demais para explicar cada caso entre nossa população, ao menos é possível aplaudir, se é que assim se pode dizer, a consciência de que a saúde mental é um problema grave. 

Isso já é suficiente, e este é o grande mérito dos brasileiros no estudo do Ipsos, para constatar que temos problemas sérios a resolver e que estamos bastante cientes e preocupados com esse diagnóstico. Portanto, ide-vos todos para a clínica!

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