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Saúde Geral

Lesões neurológicas por acidentes de trânsito são mais comuns em homens do que em mulheres

Entre as mulheres, a maioria dos casos ocorre por doenças

02/12/2022 Redação Fonte: Assessoria de Comunicação Compartilhar:
Lesões neurológicas por acidentes de trânsito são mais comuns em homens do que em mulheres
Foto: Divulgação

Um estudo publicado pela Unicamp apontou que no Brasil os homens são responsáveis por 183% a mais de acidentes do que as mulheres. O relatório, que avaliou o período de junho de 2021 a junho de 2022, aponta que eles se envolveram em 192.643 ocorrências, contra apenas 68.039 das mulheres. Como resultado dessas ocorrências, os homens são os que mais apresentam lesões neurológicas, como o Traumatismo Cranioencefálico (TCE) e o Traumatismo Raquimedular (TRM).

“Isso acontece porque eles geralmente assumem mais riscos e tendem a ser mais imprudentes no trânsito, mas não é só isso. No trabalho, os homens se acidentam mais, assim como são mais propensos a serem vítimas de violência principalmente por projéteis de arma de fogo”, destaca o neurologista Brendon Popinhak. Conforme o médico, quando se olha para o comportamento das mulheres, a perspectiva é outra. "Elas geralmente são mais prudentes, além de estarem mais abertas à medicina preventiva. Para a mulher é comum, por exemplo, ir ao ginecologista regularmente checar o seu estado geral de saúde”, explica.

Os dados da pesquisa da Unicamp apontam que esta realidade é ainda mais gritante entre os homens mais jovens. Na faixa etária entre os 18 e os 24 anos, eles sofrem aproximadamente 217% mais acidentes de trânsito do que as mulheres. O relatório aponta ainda que o domingo é o dia da semana que, em média, apresenta o menor número de ocorrências. Elas acontecem mais às sextas-feiras e aos sábados, quando há um consumo maior de álcool e drogas. “Os homens consomem mais essas substâncias, que representam as maiores causas de acidentes,”, reforça o médico.

Dados do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito de 2021 destacam que os motociclistas representam 40,5% dos óbitos, a maioria por Traumatismo Cranioencefálico. Eles respondem, também, por 54% das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), motivadas por acidentes de trânsito.

Transformações necessárias

Brendon destaca que este tipo de comportamento tem um componente histórico e cultural que deve ser revisto. “Muitos casos de TCE e TRM poderiam ser evitados; é o que observamos em países desenvolvidos, nos quais as lesões neurológicas por acidentes de trânsito está em decréscimo, após esses países terem investido em programas de prevenção”.

O neurologista destaca que esses tipos de lesões, em muitos casos, deixam comprometimentos que podem afetar a qualidade de vida do paciente para sempre, além de exigirem tratamentos e programas de reabilitação prolongados e com custos elevados. “A grande questão que os dados nos trazem é que uma das principais causas de lesões neurológicas principalmente em adultos jovens são por lesões traumáticas, sejam elas acidentes de trânsito ou violência, e o melhor remédio é a prevenção: investir em conscientização e educação”, finaliza. 

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