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Um ano após enchentes, empresas gaúchas ainda enfrentam dívidas e fechamentos

Levantamento do IFEP-RS aponta endividamento de R$ 4,63 bilhões e desafios extras com encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE)

12/08/2025 Redação Fonte: Assessoria de Imprensa da Fecomércio RS Compartilhar:
Um ano após enchentes, empresas gaúchas ainda enfrentam dívidas e fechamentos

O Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS) divulgou um panorama sobre a situação das empresas gaúchas após as enchentes de 2024. O estudo revela que, até o fim do ano passado, cerca de 700 negócios - aproximadamente 8% dos contribuintes de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) situados nas áreas de inundação - ainda não haviam retomado qualquer nível de atividade. Quando analisado o volume de receitas por meio das notas fiscais de vendas das empresas localizadas nas regiões afetadas, há uma recuperação maior - apesar de ainda não integrada no caso do varejo. Esse fenômeno indica uma provável concentração de mercado, já que negócios sobreviventes absorveram a clientela das empresas que encerraram suas atividades, reduzindo a competitividade.

No Estado como um todo, o impacto também foi expressivo. O ritmo de abertura de novas empresas despencou em maio de 2024, com 30% menos registros que no mesmo mês do ano anterior, e a taxa de fechamento acelerou 10 pontos percentuais, resultando em 30% mais baixas que em 2023.

Segundo o IFEP-RS, após as enchentes, muitas micro e pequenas empresas recorreram a linhas de crédito emergenciais como o Pronampe Solidário e o Pronampe Gaúcho. Apesar de anunciados como de "juros zero" ou com condições atrativas, os valores são ajustados a partir da Selic, que está em elevação. Neste contexto, os programas aplicam taxas que, na prática, resultam em custos significativos - cerca de 11% ao ano no caso federal e até 1,35% ao mês no estadual. Juntos, liberaram R$ 3,667 bilhões, com R$ 1,012 bilhão em subsídios, mas o valor a ser devolvido chegará a R$ 4,63 bilhões até 2030. O pagamento das parcelas, previsto para começar em meados de 2026, pode comprometer novos investimentos e atrasar a recuperação econômica.

Outro fator de pressão é o fim repentino, no início de 2024, do Programa Especial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE). Muitas empresas de turismo e hotelaria abandonaram o Simples Nacional para aderir ao benefício, mas agora só poderão retornar ao regime em 2026. A mudança implicou aumento médio de 12,8% na carga tributária, o que, segundo o levantamento, pode transformar lucros em prejuízos justamente no período de reconstrução.

Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, os dados reforçam a urgência de medidas específicas para a recuperação econômica: "O levantamento mostra que a crise causada pelas enchentes não se encerra com a retomada parcial das atividades. É preciso agir para que o peso das dívidas e a perda de competitividade não comprometam a sobrevivência de milhares de negócios, especialmente os de pequeno porte".

Já Lucas Schifino, diretor executivo do IFEP, destaca o risco de um ciclo prolongado de dificuldades. "O aumento do endividamento, somado à redução na concorrência e ao fechamento de empresas, cria um ambiente econômico menos dinâmico e mais concentrado. Sem políticas de crédito mais favoráveis e estabilidade tributária, a recuperação plena pode levar anos", explica.  

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