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Medicina avança no tratamento do câncer de pele

Opinião: Médica associada da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção RS, Suzana Hampe

14/01/2020 Redação Fonte: PlayPress Compartilhar:
Medicina avança no tratamento do câncer de pele
Foto: Divulgação

O verão é sinônimo de diversão na praia, nas praças e piscinas. Porém, é, também, motivo de preocupação na prevenção ao câncer de pele. A boa notícia é que os avanços da medicina proporcionam cada vez mais formas eficazes de combate à doença.

A Cirurgia Micrográfica de Mohs é uma técnica cirúrgica altamente eficaz e especializada indicada para vários tipos de cânceres de pele e mucosas de alto risco. Pode ser considerada o padrão ouro no tratamento destes tumores. Foi desenvolvida e aperfeiçoada, há quase um século, pelo dr Frederic E. Mohs de Wisconsin, EUA. Apresenta as mais altas taxas de cura por ser a única técnica que realiza o controle microscópico completo das margens cirúrgicas, durante a cirurgia, através de inclusão e congelamento do material modificado, confecção de lâminas e análise microscópica. Permite encontrar a localização precisa de resquícios de tumor, para serem removidos e submetidos a nova análise. Consequentemente, o tecido sadio é poupado, promovendo melhores resultados estéticos. Difere das técnicas convencionais de retirada com margens amplas, pela avaliação destas ser por amostras de partes representativas, podendo não serem detectados remanescentes de tumor nas bordas não examinadas.

É principalmente indicada para carcinomas basocelulares e espinocelulares de alto risco. São os localizados em têmporas, orelhas, pálpebras e sobrancelhas, nariz, região labial, mãos, pés e genitais. São zonas em que é necessário poupar tecido ou de mais reincidências. Também indicada para os de comportamento biológico agressivo como carcinomas basocelulares esclerodermiformes e infiltrativos, ou para espinocelulares pouco ou indiferenciados. A invasão em profundidade ou em nervos ou vasos favorece maior risco de destruição local e metástases. A técnica também beneficia os tumores de contornos pouco nítidos, os incompletamente removidos, em imunossuprimidos, em pele previamente irradiada ou se são recorrentes.

A incidência e diagnóstico de malignidades cutâneas estão crescendo. Nos Estados Unidos são realizadas 876.000 cirurgias micrográficas/ano, no Brasil não chegando a 1% deste valor. São apenas 94 cirurgiões micrográficos certificados pela SBD, com conhecimento na técnica, em patologia e reconstrução. Este número tende a aumentar.

Médica associada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção RS, Suzana Hampe 

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